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'NYT': "Vivemos pior que os cavalos que estão competindo", disse moradora do Alemão

Reportagem diz que Olimpíadas do Rio acontece em meio a guerra de traficantes 

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Matéria publicada nesta sexta-feira (12) pelo jornal norte-americano The New York Times comenta que enquanto os fãs estavam fazendo fila para assistir a uma partida de duplas de vôlei de praia entre México e Estados Unidos nas areias sedutoras da Praia de Copacabana, acontecia um sangrento tiroteio em uma comunidade do Rio de Janeiro. Assim que ouviu as balas na terça-feira (9), Richard Conceição Dias, de 9 anos, já sabia o que tinha que fazer.

"Eu me deitei o no chão, abraçando a minha mãe", disse Richard, que vive em uma casa de um cômodo no Complexo do Alemão com sua mãe e três irmãs. "Ela me disse:" Afaste-se da janela, feche os olhos e sonhe com algo de bom".

O editorial do NYT observa que uma parte do Rio está festejando a emoção dos Jogos. A maioria são foliões endinheirados que passeiam pelos points da cidade com um copo de caipirinha e supermodelos. Milhares de soldados estão patrulhando os distritos de luxo à beira-mar para aliviar os temores de assaltos e outros crimes. Mas na sombra dos Jogos Olímpicos, uma guerra entre gangues de drogas e forças de segurança do país está ocorrendo. para pessoas como Richard, de anos, residente do Alemão, parece que as Olimpíadas estão acontecendo em outra cidade, tamanha discrepância de emoções. 

Em uma força tarefa ao longo da última semana, mais de 200 policiais invadiram as ruelas do Alemão. O jornal norte-americano acrescenta que a polícia matou dois homens a tiros, e um chefe da operação de narcóticos foi gravemente ferido.

"Nós vivemos pior do que aqueles cavalos bonitos usados para competir nos Jogos Olímpicos", disse Juciléia Silva, 35, mãe de Richard, referindo-se à competição equestre, que acontecia ao mesmo tempo em que sua família se esquivava do tiroteio entre a polícia e os traficantes.