Numa sessão tumultuada, com protesto e ânimos exaltados, a Câmara de Vereadores do Rio adiou a votação do Projeto de Lei que previa o tombamento do antigo Museu do Índio, situada no Complexo do Maracanã. De acordo com o presidente da Casa, Jorge Felippe (PMBD), a questão continua em pauta ordinária. "Nesta sessão não foi possível fazer (a votação). Na próxima quarta-feira teremos sessão ordinária e este projeto estará na pauta do dia", afirmou, ao ser interpelado por uma manifestante que estava na galeria, repleta de índios, alunos, pais de alunos e integrantes do movimento Meu Rio, contrários à demolição do museu e da Escola Municipal Friedenreich, também ameaçada por causa de obras para a Copa do Mundo de 2014.
Com faixas e cartazes, os manifestantes pressionavam os vereadores a aprovar o tombamento do Museu do Índio. Jorge Felippe admite que a questão é polêmica: "Acho que está faltando mais diálogo entre o governo do estado e a sociedade para encontrar um acordo."
No momento em que o vereador Professor Uóston (PMDB) - autor da emenda suprimindo parte do texto que fala sobre a proibição de demolir o edifício - se dirigiu para a mesa para responder a outros vereadores que o haviam citado em discurso, os manifestantes praticamente o impediram de falar. Por cerca de 15 minutos, Uóston tentou fazer seu discurso, até que conseguiu finalmente se pronunciar: "Tenho muito orgulho de ser autor da emenda. A partir desta emenda, trarei benefícios para o povo, e uma escola melhor", falou, para novamente ouvir uma sonora vaia.
Relevância histórica
O Projeto de Lei nº 1536/2012 dos vereadores Eliormar Coelho, Leonel Brizola Neto e Reimont argumenta que o antigo museu tem relevância histórica, arquitetônica e cultural. Dizendo ainda:
Antigo museu é abrigado por índios da aldeia Maracanã
"No prédio tombado, funcionarão permanente e exclusivamente as atividades de preservação dos costumes, crenças e tradições indígenas.(...)Parágrafo único - O terreno do prédio tombado, destinar-se-á ao usufruto exclusivo da Cultura Indígena.(...) Em decorrência do tombamento ficam vedadas quaisquer alterações no projeto original do imóvel".
Conforme vem antecipando o JB, ativistas cariocas, pais, estudantes, índios e políticos são contra a demolição do antigo museu, localizadas no estádio do Maracanã, que tem como justificativa da Prefeitura do Rio a liberação de espaço para a construção de estruturas para a Copa de 2014.
Em outras ocasiões, o governador do Rio Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes disseram que a demolição era uma exigência da Fifa, que desmentiu o caso.