Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Rio

Antes da Câmara aprovar projeto, Paes já criou a estação BRT Golfe Olímpico

Projeto na Câmara quer transformar terreno verde na Barra em hotéis e campo de golfe

Jornal do BrasilCaio de Menezes

A polêmica envolvendo a construção de um campo de golfe e de um complexo hoteleiro na Praia da Reserva (Zona Oeste) ganhou novo episódio hoje. Enquanto o prefeito Eduardo Paes defendia a aprovação dos projetos dizendo que a cidade sairá ganhando, um grupo de manifestantes reuniu-se na porta do Itanhangá Golf Club para protestar contra os dois empreendimentos.

Curiosamente, o prefeito ainda defende a aprovação dos projetos que permitirão a construção do mega campo de golfe. Mas, sua certeza com relação à abertura desta área de esporte é tanta que já existe - embora ainda permaneça fechada - a estação do BRT chamada Golfe Olímpico. A questão que Paes parece não se preocupar é que este terreno continua sendo motivo de litígio judicial.

Apesar disto tudo, o prefeito nesta terça-feira garantiu que "o Rio sai ganhando com o novo campo de golfe e com o resort". Segundo ele, "as pessoas tem mania de dizer que não se pode construir em Áreas de Preservação Ambiental (APA). Mas pode sim, só que com ressalvas", explicou, tentando minimizar o fato de o terreno onde o complexo será construído pertencer à APA de Marapendi. 

>> Jovens e ativistas protestam contra construção de hotel em área preservada

A área deste suposto campo de golfe tem cerca de um milhão de metros quadrados, e fica na beira da Avenida das Américas. Ela é motivo de uma antiga briga judicial entre a Elmway Participações Ltda. do auditor da Receita Federal Vanildo Pereira da Silva e o conhecido grileiro de terra, Pasquale Mauro. É com Pasquale e a empresa RJZ Cyrela que o prefeito negociou o uso do terreno para o campo de golfe.

Pelo projeto de Lei enviado à Câmara de Vereadores para aprovação, uma área de 58 mil metros quadrados, hoje considerada Zona de Conservação da Vida Silvestre (ZCVS), será liberada para o campo de golfe. No mesmo projeto, como contrapartida à cessão da área para o campo de golfe, o prefeito propôs a mudança do gabarito de forma a permitir a construção de 22 espigões com 22 andares cada um para serem explorados pela Cyrela e o italiano. A questão é que a Elmway, através do seu advogado, Sérgio Antunes Lima Junior já anunciou que tem outros planos para o terreno. Ou seja, ela ganhando a disputa judicial, o campo de golfe não se torna realidade. 

Apesar de o projeto ainda estar em tramitação, sem data prevista para ser votado, a estação de Bus Rapid Transit (BRT) já está prontam, com placa na porta. Situada em frente ao terreno em questão chama-se 'Estação Golfe Olímpico'. Aliás, o terreno de tão grande, margeia duas estações. A segunda delas é a do condomínio Rio Mar.

Vereador protesta

Um grupo de jovens se reuniram na porta do Itanhangá Golf Club, na manhã desta terça-feira (20), para protestar contra a construção do campo de golfe na região da Área de Proteção Ambiental do Marapendi e do resort Hyatt, na Praia da Reserva.   

"O Rio de Janeiro já tem dois campos de golfes. E o tradicional é o de Itanhangá, que poderia perfeitamente ser adaptado para os jogos. Havia inclusive interesse de responsáveis pelo esporte internacional de bancar as obras, mas, a Copa do Mundo e as Olimpíadas justificam tudo o que o Paes quer fazer no Rio de Janeiro", lamentou Renato Cinco, eleito vereador pelo PSOL em outubro último.

O empreendimento do grupo hoteleiro Hyatt prevê quatro prédios de seis pavimentos com um total de 436 apartamentos, além de dois condomínios residenciais de luxo com outras 80 unidades com preços que variam entre R$ 2,6 milhões e R$ 40 milhões.

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