Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Rio

Greve fecha agências bancárias e tumultua vida dos clientes

Apesar do movimento, não houve tumulto nas agências do Centro do Rio

Jornal do BrasilCaio de Menezes

Apesar do movimento grevista dos bancários em todo o Brasil, as agências fluminenses aparentavam calma, no início da tarde desta terça-feira (18). No entanto, alguns funcionários que chegaram para trabalhar tiveram a entrada bloqueada pelos grevistas.

No coração financeiro do Rio de Janeiro, no entanto, não havia filas ou tumulto, mas muitos clientes reclamaram por serem obrigados a realizar suas transações bancárias no caixa automático.

Com sua Kombi retida em um depósito do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro), o motorista Raimundo Vieira, de 47 anos, veio de Nova Iguaçu, onde vive, para sacar pouco mais de R$ 2 mil e quitar as pendências de seu carro. Limitado a pegar R$ 1 mil por dia, ele foi a uma agência do Bradesco, na Avenida Rio Branco, à toa.

"Enquanto não consigo retirar o dinheiro, meu carro segue no depósito, que custa mais de R$ 100 por dia. E os custos seguem aumentando", lamentou. "Sem falar que a Kombi é meu meio de trabalho. Tenho um contrato para transportar os funcionários de uma empresa e temo perder esse cliente".

A bibliotecária Maria Amélia Costa, de 59 anos, reclamou por ser obrigada a utilizar o caixa automático, ferramenta com a qual não está familiarizada.

"Sempre preferi ir até a boca do caixa, independentemente do tamanho da fila", lembrou. "Como cheguei aqui na agência e fui obrigada a usar a máquina, preferi ir embora. Não confio nestes equipamentos".

Os motivos

Entre as reivindicações, os bancários querem reajuste salarial de 10,25%, aumento na participação do lucro, adoção de piso salarial de R$ 2.416,38, além da reestruturação de benefícios.

Grevistas posicionaram-se nas portas das agências para protestar e impedir a entrada de colegas
Grevistas posicionaram-se nas portas das agências para protestar e impedir a entrada de colegas

"Em 2000 os principais bancos lucraram R$ 4 bilhões. Em 2011, este montante chegou a R$ 54 bilhões. Eles têm uma rentabilidade absurda e se recusam a nos conceder reajuste, cujo impacto é mínimo em suas contas", analisou o presidente do Sindicato dos Bancários do Município do Rio de Janeiro, Almir Aguiar. "Queremos reajustes e melhorias nas seguranças das agências".

A Federação Nacional do Bancos (Fenaban), apresentou contraproposta com reajuste de 6% para correção de salário, pisos, benefícios e participação nos lucros. A oferta foi recusada pelos bancários.

Alternativas

Para quem quer pagar uma conta e encontrar a agência fechada a alternativa é tentar buscar outros canais, como caixa eletrônico, internet, telefone e correspondentes bancários (como casas lotéricas, alguns hipermercados oferecem o serviço).

O pagamento de mensalidades pode ser negociado diretamente com escolas ou operadoras de planos de saúde, por exemplo. O consumidor deve pedir uma prorrogação do prazo de vencimento ou outra forma de pagamento, como débito na conta. As empresas são obrigadas a oferecer outras opções.

O consumidor que não tem o hábito de usar caixa eletrônico e quiser pagar alguma conta não deve pedir ajuda a estranhos. Como não haverá funcionário da agência para dar informações, ele deve levar alguém para ajudar, se necessário.

Polícia Federal

Em greve há mais de 40 dias, os servidores da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro vão intensificar as ações de reivindicações da categoria pelo estado. O anúncio foi feito hoje (18) pelo presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Telmo Correa. Segundo ele, as próximas atividades a serem organizadas pela corporação visam promover uma mobilização no estado, assim como informar à sociedade os motivos da paralisação.

Amanhã (19) os servidores farão uma manifestação em frente ao Copacabana Palace, na Zona Sul carioca. Na semana passada os agentes montaram tendas para arrecadação de alimentos em frente à Superintendência da PF, na Praça Mauá.

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