O Secretário de Segurança José Beltrame participou de um bate-papo com usuários através do Twitter e negou que a Polícia Civil tenha subestimado a presença de traficantes no Complexo do Alemão. Segundo Beltrame, a comunidade está "em processo de pacificação" e o setor de inteligência da Polícia Civil não ignorou as denúncias a respeito dos traficantes ainda presentes na região.
"O trabalho de inteligência não pode dar previsões. A gente não pode dizer que começou uma investigação hoje e vai terminar no fim do mês. Não é assim que o serviço de inteligência funciona", explicou o secretário. "A prova de que tudo está sendo feito é que, até agora, mais de 1.000 pessoas foram presas nas UPPs. Quem dera pudéssemos adiantar o resultado de investigações".
Beltrame adiantou que a UPP do Alemão será composta de 2.200 policiais militares recém-formados e ressaltou a importância da manutenção do processo de pacificação na região.
"Nós não podemos abrir mão das UPPs. Não tem jogo ganho. Nós sabemos que é a segurança nas favelas é um problema difícil porque é histórico. É absolutamente necessária a pacificação destas áreas. Os governos anteriores sempre foram cínicos ao dizer que os serviços não chegavam àqueles locais por conta da falta de segurança. Hoje, isso não acontece mais. Devolvemos aqueles territórios à sociedade".
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Rocinha e Niterói
Como já fez me outras ocasiões, José Beltrame preferiu não comentar a possível instalação de UPPs em Niterói ou a pacificação da Rocinha, comunidade vista como o último grande reduto do tráfico de drogas no Rio de Janeiro.
"Não gosto de falar, gosto de fazer. Não vou dar um prazo para isso acontecer, mas garanto que estes locais estão dentro do nosso cronograma", limitou-se a dizer o secretário. "Vale lembrar que as UPPs vão continuar, independentemente do governo".
Beltrame também negou que a Secretaria de Segurança diferencie áreas ocupadas por traficantes ou pela milícia. Hoje, há 14 UPPs espalhadas pelo Rio de Janeiro e apenas uma delas está em região que era dominada por milicianos.
"Nossa avaliação não leva em conta se ali tem traficante ou miliciano, e sim quantas pessoas serão beneficiadas, qual é a importância do local para a segurança de todo a cidade e como vamos poder ajudar a população".