Jornal do Brasil

Sábado, 4 de Julho de 2015

Rio

Condutor do bonde de Santa Teresa ignorou ida à oficina antes do acidente 

Bonde já tinha passado por manutenção dois dias antes do acidente

Jornal do BrasilJorge Lourenço

O secretário de Transportes do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, convocou, na tarde desta segunda-feira, uma coletiva de imprensa para explicar o acidente com um bonde em Santa Teresa. No incidente, cinco pessoas morreram. 

De acordo com Júlio Lopes, o condutor Nelson Corrêa deveria estar levando o bonde para a manutenção no momento do acidente já que o veículo tinha acado de colidir com um ônibus. Dois dias antes da tragédia, o mesmo bonde já tinha passado por uma manutenção. A razão pela qual Nelson não foi para a oficina ainda é desconhecida. 

"Não queremos culpar nem acusar ninguém", disse Júlio Lopes. " O Nelson era um funcionário exemplar, conhecido entre os colegas como 'tartaruga', por dirigir devagar. Nossa grande dúvida é saber por quê ele não foi para a oficina. Quem vai dizer a razão disso será a perícia".

Membros da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast) estavam presentes na Secretaria de Transportes e tentaram começar uma manifestação durante a coletiva de imprensa. Contidos pelos seguranças, eles se revoltaram com a tentativa de culpar o condutor pelo acidente. 

"Todo mundo que frequenta Santa Teresa sabe como os pontos ficam superlotados. Com certeza, o Nelson ficou constrangido pelas filas enormes e pela demora de 40 minutos por um bonde. Ele deve ter passado pelos pontos lotados e decidiu voltar", apontou Álvaro Braga, historiador e membro da AMAST. "Não pensei que eles fossem adotar a tática de 'culpar o morto'". 

Júlio Lopes também apontou a superlotação dos veículos como principal causa dos acidentes e acusou os frequentadores do bonde de forçar a entrada, mesmo sob protestos dos condutores. Questionado sobre as razões da lotação, ele admitiu que o número de bondes não era o suficiente para atender a demanda. 

Moradores tentam começar protesto, mas são contidos por seguranças
Moradores tentam começar protesto, mas são contidos por seguranças

"Estamos falando de bondes criados há mais de 100 anos, todos feitos para atender a uma realidade completamente diferente. E é difícil mordenizá-los, já que os trilhos foram especificamente para requisitos daquela época", explicou o secretário. "O número de bondes realmente não era o suficiente para atender o bairro". 

ACP ignorada

Os membros da Amast também reclamaram de a Secretaria de Transportes ter recorrido de uma ação civil pública (ACP) do Ministério Público que pedia a modernização dos bondes para garantir a segurança dos passageiros. A justiça estadual condenou a Secretaria a cumprir a ação, que levou o processo para a esfera federal.

"Plagiando o escritor, tudo isso foi a crônica de uma tragédia anunciada. Eles chegaram ao ponto de recorrer de uma ação que pedia apenas a modernização dos veículos, arrastando ainda mais o processo", disse Álvaro Braga, indignado. "Honestamente, não consigo entender como o governador Sérgio Cabral mantém o Júlio Lopes como secretário de Transportes após essas seis mortes no bondinho em menos de um ano. O Júlio Lopes é dono de duas escolas e formado em marketing. Ele não entende nada de transportes e já deveria ter sido exonerado há muito tempo". 

Tags: acidente, bonde, mortes, santa teresa, Tragédia

Compartilhe: