Depois de prestar depoimento na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes), Maria da Glória Pinto, proprietária do parque de diversões Glória Center, gritou que não era assassina. Ela tentava esconder o rosto com uma bolsa. No domingo, um acidente em um dos brinquedos do parque deixou uma estudante morta e outros oito feridos. Na tarde desta terça-feira, o adolescente Vítor de Oliveira também não resistiu, somando-se dois mortos.
Ao deixar a delegacia, Maria Glória saiu correndo e gritando pela rua que "não teve a intenção de machucar ninguém "e que "já fez muitas crianças felizes".
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Segundo a delegada Adriana Belém, responsável pelo caso, Maria da Glória Pinto e seu filho serão indiciados por homicídio doloso - quando há intenção de matar. Durante duas perícias, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) constatam que os brinquedos estavam em péssimo estado de conservação. Em depoimento, o engenheiro que assinou o laudo liberando o funcionamento do parque assumiu que fez o documento antes de visitar as instalações e de examinar o estado dos brinquedos.
Policiais da 42ª DP ainda vão ouvir dois bombeiros que também fizeram vistoria no parque e liberaram o local para funcionamento. Três promotores da festa em que foi instalado o parque e uma representante da associação de moradores também prestaram depoimento nesta terça-feira e foram indiciados por falsidade ideológica.
Delegada descobre outras mortes no parque
De acordo com investigações da polícia do Rio, o acidente no Parque Glória Center, em Vargem Grande, não foi o primeiro. A delegada Adriana Belém, da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) descobriu que em junho do ano passado o funcionário Diogo Melo de Paiva, 23, morreu ao ser atingido na cabeça por uma parte do brinquedo "Surfe", durante a Festa do Tomate, em Paty de Alferes, no interior do estado.
Após duas perícias realizadas no Parque Glória Center, que é itinerante, constatou-se que o brinquedo era remendado com cola em forma de resina, tinha ponta de parafusos enferrujados, cabos de aço puídos, atrações desniveladas e funcionava com gato de luz. Além disso, o parque não tinha alvará de funcionamento fornecido pela Prefeitura.