Um grande almoço de uma empresa que teria alugado as dependências do Parque Lage está suscitando muitas reclamações de alunos da tradicional Escola de Artes Visuais do Jardim Botânico (Zona Sul do Rio).
Segundo um grupo matriculado no curso de pintura, na última semana, uma grande estrutura foi montada sobre a famosa piscina do pátio do Parque Lage (foto) e as aulas chegaram a ser interrompidas, tamanho o rebuliço que o entra e sai de operários provocou.
"Na quarta-feira (27) não havia espaço para pintarmos nossas telas fora das salas, como de costume. Tivemos que espalhar os cavaletes com nossas pinturas pelos corredores. O espaço que costumamos usar para fazer pinturas grandes estava ocupado com ferros para a montagem do tal megaevento", critica a aluna Laura Lucia Limongi, que paga uma mensalidade de R$ 300 à unidade administrada pela Secretaria do Estado de Cultura.
Para ela, está faltando organização da direção da escola. "A montagem das estruturas para as festas podiam ser feitas de madrugada para não atrapalharem as aulas", sugere. "Em dias de preparação para megaeventos, não podemos usar o estacionamento da escola. A área é ocupada por carros que transportam os equipamentos usados nas festas", ataca.
Revoltados com as intervenções no prédio, alguns professores preferiram não dar aulas na semana que antecedeu o almoço.
"Tem sido uma barulheira infernal. A gente quer estudar, mas a algazarra é tão grande que não é possível", acusa Fernanda Leme. "Sabemos a importância dos recursos que entram para a escola com os eventos. Entretanto, não é porque a unidade tem seus problemas financeiros, que qualquer coisa deve ser permitida", completa.
Procurada pelo Jornal do Brasil, a Secretaria do Estado de Cultura informou que os recursos obtidos com estes eventos, por meio da Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais, são importantes para possibilitar a realização de cursos gratuitos.
Sobre a frequência na realização deste tipo de evento, José Emilio Rondeau, porta-voz da Secretaria, afirma que eventos deste porte não são frequentes. Além disso, medidas estariam sendo estudadas "para que futuras ocupações não ofereçam qualquer tipo de distúrbio à rotina da escola". A Secretaria, no entanto, não adiantou que medidas estariam sendo estudadas para evitar novos problemas.
Ainda de acordo com José Emilio Rondeau, os eventos são submetidos ao crivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que o Parque Lage é tombado.