Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Abril de 2017

Rio

Médicos fazem manifestação por melhores condições de atendimento às gestantes

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RIO - A comemoração do Dias das Mães teve tom de protesto na Maternidade Leila Diniz, na Barra da Tijuca. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) reuniu um grupo de médicos para uma manifestação contra o descaso das autoridades de saúde com as condições de atendimento às mães e seus bebês nas maternidades da rede pública.

Vestidos com jalecos brancos, os manifestantes distribuíram flores e receberam apoio das próprias pacientes e de seus familiares. "O Hospital Pedro II e a Maternidade Pró Matre, que fecharam as portas, realizavam cerca de mil partos por mês. Sem a oferta dos leitos destas maternidades, as gestantes peregrinam em busca de vagas", afirma Márcia Rosa de Araujo, presidente do Cremerj.

A interrupção do atendimento nestas unidades provocou o aumento da demanda na Leila Diniz, que atualmente realiza 600 partos por mês. A unidade recebe, em média, 20 gestantes por dia, mas tem apenas sete leitos pré-partos e 64 leitos obstétricos.

Vestidos com jalecos brancos, os manifestantes distribuíram flores e receberam apoio das próprias pacientes e de seus familiares
Vestidos com jalecos brancos, os manifestantes distribuíram flores e receberam apoio das próprias pacientes e de seus familiares

Regina Diniz, médica anestesista e irmã da atriz que dá nome à maternidade, aderiu à campanha por um atendimento de qualidade a mães e bebês. "Minha irmã foi a primeira mulher a expor a gravidez. Sempre valorizou publicamente a gravidez, o parto e a amamentação numa época em que pouco se falava disso tudo. Leila dizia que ser mãe era o maior prazer do mundo", relembra.

No dia 20 de abril, a Comissão de Fiscalização do Cremerj encontrou pacientes internadas, sentadas em cadeiras. Mulheres à espera do parto e outras que tinham acabado de ganhar seus bebês aguardavam em cadeiras pouco confortáveis, enquanto havia espaço em enfermarias vazias por falta de médicos e de infraestrutura.

A unidade conta apenas com quatro médicos por plantão, que atendem, simultaneamente, a Unidade de Terapia Intensiva, a Unidade Intermediária, salas de partos e o alojamento conjunto. A falta de médicos é resultado da inércia da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, que há anos não faz concurso público com boa remuneração para a classe médica.

Tags: cremerj, protesto

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