Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Abril de 2017

Rio

Secretaria busca parceiros para ligação marítima entre Barra e Centro

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RIO - Na busca de parceiros para implantação das linhas de transporte oceânico de passageiros, o secretário de Transportes, Julio Lopes, designou uma equipe de trabalho para fazer contato com operadoras de transportes hidroviários e construtores de embarcações de diversas partes do mundo. O levantamento das empresas está sendo feito em parceria com a ajuda de uma consultoria internacional, a Fast Ferry.

Desde a semana passada, a equipe da Secretaria de Transportes já identificou 200 empresas em países como Austrália, Japão, China, Coréia, Singapura, Itália, França e Estados Unidos que são operadoras de embarcações de diversos tipos, como catamarãs, ferry boats, barcas, hidrofólios (aerobarcos). Para cerca de 100 empresas, entre elas oito brasileiras, a secretaria já enviou uma carta de intenções convidando para conhecer o projeto de ligação marítima que o Governo do Estado tem para a região oceânica de Niterói e para a região da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes.

- Estamos buscando no mercado empresas que operam barcos com a tecnologia para navegação de passageiros em alto mar. São embarcações que utilizam flutuadores que permitem a navegação em alta velocidade, a uma média de 60km/h, e sem impacto das ondas para os passageiros, o que pode tornar a viagem desconfortável. Essas embarcações específicas navegam com o casco fora da água, evitando assim enjôos e desconforto para quem estiver a bordo explicou o secretário Julio Lopes, segundo sua assessoria.

Para a ligação hidroviária entre o Centro do Rio e a Barra da Tijuca, a secretaria calcula que sejam necessários barcos com capacidade para 250 a 300 passageiros. Recentemente, a DTA Engenharia apresentou um estudo para as ligações de linhas oceânicas do Rio. Pelos cálculos da consultoria, cada embarcação desta custaria entorno de U$ 10 milhões. Com elas, seria possível fazer a ligação por mar entre o Centro do Rio e a Barra da Tijuca em meia hora. Já para o Recreio dos Bandeirantes, a viagem duraria 43 minutos.

O custo total para a implantação da hidrovia e o valor das passagens ainda não estão definidos. O projeto da ligação marítima entre o Centro e o Recreio poderá ser realizado em parceria com a iniciativa privada e dependerá, necessariamente, do apoio da prefeitura da cidade. Já o valor das passagens será estabelecido de acordo com o projeto a ser executado em cada estação que, segundo os estudos, serão construídas próximas à praia.

Entre as diversas vantagens da ligação pelo mar estão o transporte rápido de passageiros, a redução da emissão de gás carbônico para o mesmo número de pessoas transportadas, com melhor dispersão fora da área urbana, e a possibilidade do uso de combustíveis alternativos, como o biodiesel e o GNV. Além disso, a navegação oceânica é segura e tornaria o Rio viável para a realização de grandes eventos como a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, de acordo com assessoria.

Para o secretário de Transportes, Julio Lopes, a principal função das embarcações é atender ao transporte de passageiros da região, diminuindo, principalmente, o número de veículos que transitam entre o Centro e o Recreio dos Bandeirantes na hora do rush. Outro grande incentivo para que as obras saiam do papel são as exigências feitas pelo Comitê Olímpico Internacional, no que diz respeito às formas de transportes e de hospedagem, para a realização da olimpíada aqui no Rio.

- Para grandes eventos, como a Copa de 2014 e possivelmente as Olimpíadas de 2016, podemos utilizar o Porto do Rio de Janeiro para atracar de oito a dez navios que serviriam como hotéis flutuantes. Essa ligação marítima facilitaria em muito o deslocamento do público e dos turistas para as áreas de competição hoje já instaladas na Barra da Tijuca como no Recreio explicou Julio Lopes, que disse ainda que as embarcações contarão com bares, ar condicionado, poltronas reclináveis, TV e estabilizador eletrônico.

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