Jornal do Brasil

Rio - Eleições 2018

A economia da segurança: Índio da Costa diz que combate à violência é chave para crescimento

Jornal do Brasil SÔNIA APOLINÁRIO, sonia.apolinario@jb.com.br

Atacar os problemas relacionados com a segurança do estado é a principal ação que o deputado federal Índio da Costa (PSD) fará se eleito governador do Rio de Janeiro. Na sua opinião, somente com o combate à violência é possível retomar o crescimento econômico do estado. Esta é a sexta eleição de que participa. Índio já foi candidato a vice-presidente e, em 2016, tentou ser prefeito do Rio de Janeiro. Foi derrotado por Marcelo Crivella, mas se tornou seu secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, cargo que ocupou até janeiro passado. Ele também já foi secretário em gestões de Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Cesar Maia. Nesta eleição, Índio não recebeu apoio de Crivella, que se aliou a Anthony Garotinho. A entrevista para o JB foi feita na sede do seu partido, no 30º andar de um edifício comercial no Centro do Rio, em cujo heliporto foi feita a foto. Sua sugestão de passeio pelo estado foi Quissamã, no Norte Fluminense. “Tem um rio que dá para percorrer de barquinho. Passa no meio da floresta. É lindo”, disse.

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"Minha crítica não é ao partido, mas a uma quadrilha que o Eduardo Paes ajudou a construir e deixou roubar para enriquecer o Sérgio Cabral" (Foto: José Peres / Jornal do Brasil)

Como avalia as primeiras pesquisas?

Essas de largada medem mais o grau de conhecimento do que de intenção de voto. O que me chama atenção é a quantidade de eleitores que não quer votar em ninguém ou não quer votar nesses mais conhecidos: 50%. É uma eleição inusitada. Então, quem é menos conhecido tem potencial para crescer.

Em 2016, o senhor foi candidato a prefeito, mesmo assim, não foi o suficiente para as pessoas te conhecerem?

Meu nome é conhecido, segundo as pesquisas, por 25% dos eleitores. Então, tem algum recall [retorno] da campanha para prefeito, mas muito menor do que eles que já foram governantes ou Romário, que é um campeão de futebol.

O senhor atuou em várias secretarias, municipais e estaduais, e foi de vários partidos. Não é muita mudança?

Eu sempre mantive uma linha, só mudei uma vez só. Sempre trabalhei com César Maia. Depois mudei só quando fundei o PSD. Embora tenha sido filiado ao PTB, fui acompanhando o mesmo grupo político. Então fui PTB, voltamos para o PFL e transformamos no Democratas.

Acredita, então, que consegue desvincular sua atuação de candidatos que o senhor critica e que já foram do mesmo partido que o senhor?

Minha crítica não é ao partido, mas a uma quadrilha que o Eduardo Paes ajudou a construir e deixou roubar para enriquecer o Sérgio Cabral. O secretário de Obras do Paes está preso. Se o Eduardo Paes roubou, não sei. Tinha muita propina nessas obras todas. O que o Eduardo Paes mais fez foi obra, e essas obras ajudaram a ir dinheiro para ao bolso do Cabral.

Qual sua principal proposta para o estado?

Segurança pública através das polícias com policiais equipados, treinados, honrados, com apoio psicológico. Policiais que tenham acesso à tecnologia. Vou retomar o sistema de investigação no estado que já funcionou. O estado desmontou as polícias.

Tem verba para fazer isso?

Tenho certeza, porque o estado arrecada quase R$ 50 bilhões por ano. Depende de qual a prioridade do governador. Para ter de volta emprego, renda, trabalho, tem que garantir a segurança, porque ninguém investe em local violento.

Somente o combate à violência vai atrair novos investimentos?

Não tenho dúvida. Quando funcionaram as UPPs, houve um movimento enorme de investimentos no estado todo. Depois que resolver a segurança, você pode resolver outras coisas, como desburocratizar, criar ambiente de negócio adequado, reduzir imposto onde puder reduzir. O Rio de Janeiro nunca foi tão violento quanto hoje. Não havia como hoje quase 20 mil fuzis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Isso é um exército.

Percebe em que momento a violência no estado se agravou?

Percebo. Quando Sérgio Cabral resolveu transformar as UPPs em política pública de segurança, quando aquilo era só um programa. Ele desmontou a segurança pública do estado e concentrou aqui na capital. O segundo passo errado dele: quando pegou o sistema de investigação da polícia civil e desmontou. Como ele certamente não queria ser investigado, acabou com a investigação. Cabral, [Jorge] Picciani é tudo farinha do mesmo saco, e Paes é o candidato deles todos.

Quando o senhor foi candidato a prefeito, apoiou Crivella no segundo turno. Agora, esperava que ele o apoiasse?

Quando o Crivella ganhou a eleição, ele foi na minha casa, muito preocupado como iria administrar. Ele achava que a situação estava bem melhor do que o Eduardo Paes deixou e eu avisei que não era verdade. Fui para a prefeitura com ele para ajudá-lo. Saí em janeiro. Fiz muita coisa na prefeitura: regularização fundiária, muita entrega de “Minha casa, minha vida”, retomei quase 200 obras que Paes deixou paradas sem dinheiro.

Se estava sem dinheiro, como conseguiu retomar as obras?

Ele não pagou as obras, eu retomei muitas delas com pouco dinheiro e renegociamos com fornecedores. Ainda sumiu com uma dívida de R$ 1,5 bilhão com fornecedores. Ele apagou essas dívidas para não ficar inelegível.

Qual seu projeto para a Cedae?

É ineficiente, incompetente. Vou privatizar, de cara.

Mais alguma privatização?

O Maracanã que não é privatizar, mas dar concessão. Dizem que é um consórcio, o que é mentira. É da Odebrecht, que já tentou devolver e não consegue. Tirar deles e fazer uma concessão. Volta para um empresa ou pool de empresas que entenda da área esportiva e cultural. A marca Maracanã vai continuar sendo do estado, mas a administração entrega isso. Como também a Ceasa. Desde abril, é administrada pelo PRB e pelo PP. Tem uma pancadaria entre os deputados para saber quem consegue ter mais votos dentro da Ceasa.

Vai privatizar a Ceasa?

Está uma brigalhada lá dentro alucinada. Eu tenho a liberdade para mudar isso. A gente faz uma licitação e concede a gestão.

Com quem vai governar?

Com os melhores técnicos, as pessoas que mais entendem de cada área. E vou governar para o povo, que é quem paga a conta e não tem tido nada de volta. Com liberdade para fazer. Porque eu não fiz essas alianças mega, que te tiram a liberdade de trabalhar. Na segurança, por exemplo. A gente vai desarmar os bandidos, retomar território, cortar o lucro do crime. Rapaz que está com fuzil, independente da idade, se resolver enfrentar a polícia vai morrer, e eu vou ficar com a polícia. Não vou passar a mão na cabeça de bandido. Ninguém aguenta mais o que está acontecendo no Rio de Janeiro, que durante muito tempo foi complacente com o crime. Uma pena a história de vida do jovem, sinto muito. Vou fazer tudo pela educação e saúde dele e da família dele, mas, se escolher o crime, vai ser preso. E, se enfrentar a polícia, vai morrer, e eu não vou no enterro dele. Vou ficar preocupado com a polícia e as pessoas de bem.



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