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Waldir Pires morre aos 91 anos em Salvador

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O ex-governador da Bahia, Waldir Pires, morreu aos 91 anos, na manhã desta sexta-feira (22), em Salvador. Ex-ministro da Defesa do governo Lula (2006/2007), Pires estava internado no Hospital da Bahia desde a noite desta quinta-feira (21), com um quadro de pneumonia.

Segundo a assessoria do hospital, Pires teve uma parada cardiorrespiratória por volta das 10 horas. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas o político baiano não respondeu aos esforços e faleceu em seguida.

Nascido em Acajutiba (BA), em 21 de outubro de 1926, Pires formou-se em Direito. Ingressou na política após militar no movimento estudantil, com o qual atuou nas campanhas em defesa da Petrobras.

Pires estava internado no Hospital da Bahia desde a noite desta quinta-feira

Foi secretário de governo da gestão de Luís Régis Pacheco Pereira (1951-1955), deputado estadual e federal. Após a renúncia do ex-presidente da República Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, apoiou a posse de João Goulart, vice-presidente constitucional, cujo nome era vetado pelos ministros militares. 

Em 1963, quando exercia a função de Coordenador dos Cursos Jurídicos da Universidade de Brasília (UnB), onde era também professor de Direito Constitucional, foi convidado pelo presidente João Goulart para ocupar o cargo de Consultor-Geral da República, o que o tornou responsável pelas análises e pareceres da juridicidade e da constitucionalidade das leis de Remessa de Lucros e Dividendos e da Lei de Reforma Agrária, entre outras.

Exercia este cargo quando eclodiu o golpe militar em 31 de março de 1964. Pires foi, junto com o chefe da Casa Civil Darcy Ribeiro, o último membro do Governo a sair do Palácio do Planalto, onde dois permaneceram, a pedido de Jango, para tentar garantir o respeito à Constituição, segundo um documento enviado ao Congresso – mas desprezado pelas forças de apoio aos militares, que declararam vaga a presidência quando o presidente encontrava-se ainda em território nacional, no Rio Grande do Sul.

Em 4 de abril, já na primeira lista de cassados e perseguido, deixou Brasília com Darcy Ribeiro, de madrugada, num monomotor conseguido pelo deputado Rubens Paiva. Partiu para o exílio no Uruguai, onde depois encontrou sua esposa Yolanda e seus cinco filhos. Em 1966, mudou-se para a França e lá, com auxílio de Celso Furtado, foi indicado para lecionar Direito Constitucional Comparado e Ciências Políticas na Universidade de Dijon e se tornou também professor do Instituto de Altos Estudos da América Latina da Universidade de Paris, em 1968.

Após retornar ao Brasil, em 1970, retomou as atividades políticas. Em 1985, assumiu o Ministério da Previdência e Assistência Social durante o governo José Sarney. Em 1987, foi eleito governador da Bahia, cargo que ocupou até retornar à Câmara dos Deputados, em 1990, pela segunda vez. Em 2003, foi nomeado por Lula ministro-chefe da Corregedoria-Geral da União (CGU), posto que deixou em março de 2006, para assumir o Ministério da Defesa. À frente da pasta, enfretou a crise do setor aéreo, uma das mais graves do governo Lula.

Com Agência Brasil



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