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Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891

País

Bolsonaro rebate críticas de Ciro Gomes

Jornal do Brasil REBECA LETIERIrebeca.letieri@jb.com.br

Ao saber que o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência, considerou-o “despreparado” e autor de “soluções graves e toscas” para o Brasil, o deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato ao mesmo cargo pelo PSL, questionou: “Alguém acredita no Ciro Gomes?”, E lembrou, em tom de crítica, que “Ciro falou que ia sequestrar o Lula até uma embaixada se a prisão fosse decretada, e não sequestrou”. 

Ciro Gomes, pela manhã, em São Paulo, disse também que Bolsonaro seria o candidato “menos difícil” de ser enfrentado no segundo turno. “É lógico que ele está desdenhando. Eu não tenho TV, fundo partidário, não tenho nada. Eu tenho o povo comigo e não tenho obsessão por poder. O que está acontecendo comigo aqui é uma missão de Deus”, respondeu o deputado em palestra realizada no início da tarde de ontem na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). 

Ciro Gomes afirma que Bolsonaro propõe soluções ‘toscas’, e o deputado do PSL responde que o adversário está ‘desdenhando’

Diante de uma plateia de cerca de 300 empresários, Bolsonaro foi aplaudido ao defender a flexibilização das leis trabalhistas como forma de reduzir o desemprego. “Aos poucos a população vai entendendo que é melhor menos direitos e emprego do que todos os direitos e desemprego”, disse. 

Em uma análise sobre a conjuntura política e econômica brasileira, o deputado afirmou que pretende estimular o crescimento da economia por meio de privatizações “com critério” e de um processo de desburocratização que estimule investimentos. Mas desconversou quando questionado sobre especificidades de seu plano econômico, chamando pelo nome de seu “provável ministro da Fazenda”: “Pergunta para o Paulo Guedes ali, que é a pessoa ideal para responder isso”, justificou. 

Economista liberal e ex-banqueiro, Paulo Guedes já defendeu o deputado e disse que o mercado tem de mudar sua visão sobre o militar. Em mais de seis meses de “namoro heteramente [sic] falando”, como diz o deputado federal sobre sua relação com Guedes, Bolsonaro nega que esteja definido que o economista será seu ministro da Fazenda. “Os ministros da Fazenda e da Economia precisam ser um só, e ter porteira fechada. Tem que partir para privatização com critério, não botar tudo para o mercado”, disse o pré-candidato que é também considerado um “nacionalista”. Ao ser questionado sobre a privatização da Eletrobras, entretanto, desviou do assunto: “Temos que ver o modelo, a princípio, eu reagiria a ele”, respondeu negativamente. “O Brasil não pode ser um País que vai para um leilão”. 

“A economia é importante, mas tudo está interligado”, disse o deputado, introduzindo o tema mais comentado em suas entrevistas, a segurança pública. “Se não combater a violência, por exemplo, não haverá turismo no Brasil. E em alguns casos, se combate violência com ainda mais violência”, afirmou. 

>> Para Bolsonaro, é melhor menos direitos trabalhistas que perder o emprego



Tags: bolsonaro, ciro, farpas, política, presidência

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