Jornal do Brasil

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

País

Alunos da Universidade Estácio de Sá ameaçam abandonar a instituição

Cerca de 1200 professores foram demitidos durante essa semana

Jornal do Brasil

Os alunos da Faculdade Estácio ameaçam abandonar a instituição caso a empresa continue promovendo demissões em seu quadro de docentes. A instituição, presente em todo território nacional e espalhada em vários estados do país anunciou que vai demitir cerca de 1200 docentes.

Em todo o Brasil, os estudantes da universidade estão se mobilizando em apoio aos professores e organizando protestos para exigir a restituição de todos os profissionais que foram demitidos.

Instituição promoveu demissão coletiva com base em nova legislação trabalhista
Instituição promoveu demissão coletiva com base em nova legislação trabalhista

“A Estácio vai mudar o quadro de docentes porque os salários estão acima da média que eles desejam pagar, ou seja, irão substituir estes profissionais qualificados por professores menos qualificados. Nós não aceitamos e vamos exigir que estes profissionais sejam restituídos”, explica Emanuelle Assunção, aluna de Engenharia Ambiental da faculdade.

A universidade Estácio de Sá confirmou as demissões, e disse se tratar de uma “reorganização em sua base de docentes”. Apesar de confirmar os cortes, a universidade não disse quantos profissionais serão ou já foram demitidos.

Ainda de acordo com a faculdade, o processo envolveu o desligamento de profissionais da área de ensino do Grupo e o lançamento de um cadastro reserva de docentes para atender possíveis demandas nos próximos semestres.

O Ministério Público do Trabalho do Rio (MPT-Rio), anunciou que vai instaurar um inquérito com o intuito de investigar as demissões na universidade, e a aplicação da reforma trabalhista no caso.

o coordenador do Núcleo de Fraudes Trabalhistas do MPT-Rio, Rodrigo Carelli, a falta de transparência das empresas, e o visível desrespeito aos direitos dos trabalhadores, será investigado com rigor.

“O MPT está atento a esse movimento da empresa e iremos tomar medidas urgentes e enérgicas. Ao que parece, houve má interpretação da empresa sobre a reforma. O que parece, pelo caso, é que a empresa acha que vale tudo depois da reforma, e não é isso. A reforma não prevê nenhuma mágica, que permite desaparecer com empregados para recontratar de forma precária, por isso, vamos abrir um inquérito para fazer a apuração”, destaca.

A rede Estácio conta com dez mil professores no total, e iniciou a demissão de 1.200, sendo 400 deles no Rio de Janeiro. Para substituí-los, serão contratados outros professores, mas com salários de acordo com a média praticada no mercado, segundo explicou o presidente do grupo, Pedro Thompson.

O Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (SinproRio) divulgou nota de repúdio à decisão da universidade, e se colocando à disposição dos profissionais que perderem seus empregos.

Veja a nota do SinproRio

O Sinpro-Rio vê como lamentável e com muita apreensão a situação em que a “Reforma Trabalhista”, criada pelo governo ilegítimo, está colocando a classe trabalhadora do país. Exemplo cabal é o que está acontecendo com milhares de professoras e professores da Universidade Estácio, demitidos sem maiores explicações.

O Sindicato coloca-se à disposição dos professores neste momento difícil em que foram colocados e já está em contato com a direção da Universidade Estácio, cobrando respostas sobre esta ação nociva aos profissionais deste estabelecimento de ensino.

O Sinpro-Rio está mobilizando a categoria contra qualquer atentado aos direitos trabalhistas dos professores.

Colegas da Universidade Estácio, compareçam ao Sinpro-Rio, dia 07 de dezembro, quinta-feira, às 10 horas da manhã, para orientações sobre essa situação.

Sinpro-Rio: Rua Pedro Lessa, 35 – 2º andar - Centro.

Tags: demissão, educação, ensino, estácio, faculdade, kroton, professores, protesto, superior, universidades

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