Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

País

"Ser padrinho de casamento impede alguém de julgar um caso?", questiona Gilmar Mendes

Ministro do STF, que concedeu habeas corpus a Jacob Barata, descartou suspeição

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou nesta sexta-feira (18) que não há "suspeição alguma” para julgar o habeas corpus o qual concedeu liberdade ao empresário Jacob Barata Filho, preso desde 2 de julho em uma etapa da Operação Ponto Final. Mendes é padrinho de casamento da filha do empresário.

“Vocês [jornalistas] acham que ser padrinho de casamento impede alguém de julgar um caso? Vocês acham que isso é relação íntima como a lei diz?”, questionou o ministro após uma palestra.

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro encaminhou à Procuradoria Geral da República, em 25 de julho, pedido de suspeição de Gilmar Mendes no caso envolvendo a prisão de Jacob Barata Filho. Ainda não há decisão sobre o pedido do MPF. O caso está em análise na PGR. O MP argumenta que ele é padrinho de casamento da filha de Jacob Barata Filho.

"Ser padrinho de casamento impede alguém de julgar um caso?", questiona Gilmar Mendes
"Ser padrinho de casamento impede alguém de julgar um caso?", questiona Gilmar Mendes

Apesar da concessão do habeas corpus, uma nova decisão do juiz Marcelo Bretas, da Justiça Federal do Rio de Janeiro, manteve a prisão de Jacob Barata e do ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), Lélis Teixeira. Sobre o fato, Mendes disse que iria tomar uma decisão sobre o caso ainda nesta sexta-feira.

“Em relação à decisão dele [Bretas], eu vou examinar. Acho que já chegou uma reclamação no gabinete e vou fazer o exame. Até o final da tarde vocês vão ter resposta. Isso é atípico. E em geral o rabo não abana o cachorro, é o cachorro que abana o rabo”, disse. No início da noite, Gilmar Mendes determinou, mais uma vez, a soltura de Jacob Barata.

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Ao aceitar o pedido de habeas corpus feito pela defesa dos empresários, Mendes converteu a prisão preventiva em medidas cautelares como recolhimento noturno. Nos fins de semana e feriados, eles ficam proibidos de participar das atividades de suas empresas de transportes e, além disso, não podem deixar o país.

Tanto Lélis quanto Jacob Barata Filho são suspeitos de envolvimento em um esquema  que envolve empresas de ônibus do Rio de Janeiro e o ex-governador Sérgio Cabral, no qual teriam pago aproximadamente R$ 500 milhões em propinas. Barata Filho fora preso no aeroporto, quando embarcava para Portugal apenas com passagem de ida.

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Tags: baratam, casamento, filha, gilmar, jacob, justiça, stf, transporte, ônibus

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