Jornal do Brasil

Sábado, 21 de Outubro de 2017

País

Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio de Cunha

Jornal do Brasil

Reportagem do colunista Lauro Jardim e de Guilherme Amado, do jornal O Globo, afirma nesta quarta-feira (17) que o presidente Michel Temer foi gravado já durante o mandato pelos donos da JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, dando aval para que fosse comprado o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), preso na Lava Jato.

Em seguida, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), indicado por Temer para negociar, via propina da JBS, o silêncio de Eduardo Cunha, foi filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?".

As gravações foram entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira passada. Segundo o colunista Lauro Jardim, Joesley e Wesley entraram apressados na Suprema Corte se seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin. 

Os donos da JBS estavam acompanhados de mais cinco pessoas, todas da empresa. Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação, afirma o colunista do Globo.

Joesley disse, ainda, que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão. O valor é referente a um saldo de propina que o deputado cassado tinha com ele. O empresário também revelou que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Segundo Lauro Jardim, "a velocidade supersônica para que a PGR tenha topado a delação tem uma explicação cristalina": o que a turma da JBS (Joesley sobretudo) tinha nas mãos era algo nunca visto pelos procuradores: conversas comprometedoras gravadas pelo próprio Joesley com Temer e Aécio — além de todo um histórico de propinas distribuídas a políticos nos últimos dez anos. Em duas oportunidades em março, o dono da JBS conversou com o presidente e com o senador tucano levando um gravador escondido — arma que já se revelara certeira sob o bolso do paletó de Sérgio Machado, delator que inaugurou a leva de áudios comprometedores. Ressalte-se que essas conversas, delicadas em qualquer época, ocorreram no período mais agudo da Lava-Jato. Nem que fosse por medo, é de se perguntar: como alguém ainda tinha coragem de tratar desses assuntos de forma tão desabrida?".

Temer foi gravado pelos donos da JBS pedindo a compra do silêncio de Eduardo Cunha
Temer foi gravado pelos donos da JBS pedindo a compra do silêncio de Eduardo Cunha

Tags: Temer, brasil, crise, lauro jardim, lava jato, política

Compartilhe: