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Meirelles diz a Moro que nunca viu algo ilícito ou ilegal no governo Lula

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Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, nesta sexta-feira (10), em processo que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que nunca presenciou ilegalidades ou ato ilícitos no governo do petista enquanto esteve à frente do Banco Central (BC), entre 2003 e 2011.

"A minha relação com o presidente Lula era totalmente focada em assuntos relativos ao Banco Central e à política econômica e, nesta interação, eu nunca vi ou presenciei nada que pudesse ser identificado como algo ilícito ou ilegal", afirmou o ministro para o advogado do ex-presidente.

Meirelles foi presidente do Banco Central entre 2003 e 2011

Meirelles foi arrolado como testemunha de defesa pelos advogados de Lula na ação em que o ex-presidente é acusado de receber um apartamento triplex, no Guarujá (SP), como suposto pagamento de propina por parte da empreiteira OAS.

Em nota, os advogados de Lula afirmaram que Meirelles foi interrompido por Moro, "num notório desrespeito ao trabalho da defesa", ao perceber que o agora ministro da Fazenda de Temer não daria uma impressão negativa a respeito do governo petista.

"A pergunta da defesa foi para que Meirelles esclarecesse se a política macroeconômica empregada, aliada à estratégia de transferência de renda e aquecimento interno da economia resultaram em benefícios para o Brasil. Com a aquiescência de Meirelles, o juiz interrompeu a arguição. Houve claro objetivo de interromper uma arguição pertinente e favorável, num notório desrespeito ao trabalho da defesa. Há uma clara opção de deixar ofuscar os sólidos argumentos que a defesa leva ao processo com incidentes periféricos gerados pelo juiz." 

Henrique Meirelles ressaltou, ainda, não ter percebido qualquer indício de compra de apoio parlamentar ou mesmo da existência de uma estrutura criminosa comandada por Lula durante o tempo em que esteve no governo. “Em momento algum eu tive qualquer tipo de conhecimento ou interação sobre outros assuntos que não fossem aqueles de atividade direta do Banco Central”, finalizou.

Outra testemunha

O empresário Luiz Fernando Furlan, que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior entre 2003 e 2007, também foi ouvido na condição de testemunha de defesa de Lula. Ao ser questionado se conhecia qualquer envolvimento do ex-presidente em atividades ilícitas, Furlan disse: “não”.

A defesa do petista lembrou, então, que o depoente, quando ministro, realizava reuniões frequentes com empresários, muitas delas com a presença de Lula. Nesse contexto, o advogado perguntou a Furlan se os assuntos tratados nessas reuniões eram de interesse do país ou de interesse particular ou partidário.

“Interesse do país. A minha ideia consistia em convidar cerca de 20 empresários para cada um dos 13 encontros que promovi, no sentido de que eles pudessem dar informações ao presidente sobre os seus respectivos setores. Ao mesmo tempo, sugeri medidas que pudessem favorecer o desenvolvimento do país. O presidente era muito mais um ouvinte desses encontros”, finalizou o ex-ministro.

Com Agência Brasil



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