Jornal do Brasil

Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

País

'The Intercept': Temer diz que impeachment aconteceu porque Dilma rejeitou 'Ponte para o Futuro'

Reportagem fala que esta é mais uma prova de que Dilma saiu por questões políticas

Jornal do Brasil

O site The Intercept, do renomado jornalista Glenn Greenwald, teve acesso a um vídeo em que o presidente Michel Temer discute com empresários norte-americanos o impeachment de Dilma Rousseff, dizendo que tudo começou quando ela não quis aceitar o programa neoliberal de reformas chamado Ponte para o Futuro.

Matéria publicada pelo Intercept nesta quinta-feira (22) conta que o presidente Michel Temer deixou escapar um “segredo” em discurso para empresários e investidores nos EUA: o impeachment de Dilma Rousseff ocorreu para implementar um plano de governo radicalmente diferente do que foi votado nas urnas em 2014, quando o PT ganhou a presidência pela quarta vez, e não por irregularidades praticadas pela ex-presidente.

A reportagem descreve que na sede da Sociedade Americana/Conselho das Américas (AS/COA), em Nova York, nesta quarta-feira, dia 21, Temer disse que ele e seu partido começaram a articular o afastamento de Rousseff em consequência direta da não aceitação do programa neoliberal do PMDB pela ex-presidente.

No vídeo (abaixo) o presidente Michel Temer aparece discursando as seguintes palavras:

E há muitíssimos meses atrás, eu ainda vice-presidente, lançamos um documento chamado ‘Uma Ponte Para o Futuro’, porque nós verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo. E até sugerimos ao governo que adotasse as teses que nós apontávamos naquele documento chamado ‘Ponte para o futuro’. E, como isso não deu certo, não houve adoção, instaurou-se um processo que culminou agora com a minha efetivação como presidência da república.”

De acordo com o texto Intercept o “Ponte para o futuro” prescreve a desvinculação dos recursos da saúde e da educação, desindexação dos benefícios e do salário mínimo, mudança de idade para a aposentadoria, parcerias com o setor privado e abertura comercial. Essas ideias estavam claramente refletidas na fala de Temer na AS/COA, que visava dar seguimento à incansável empreitada de privatizações e facilitação da entrada do capital estrangeiro no país, listando as vantagens e garantias que seu governo planeja implementar para assegurar o lucro dos membros da plateia, que o ouviam (não tão atentamente) enquanto desfrutavam de suas refeições.

The Intercepct analisa que as garantias listadas pelo presidente incluíram a “universalização do mercado brasileiro”, o “restabelecimento da confiança”, uma tal “estabilidade política extraordinária”, parcerias entre os setores público e privado e o avanço de reformas “fundamentais” nas áreas trabalhista, previdenciária e de gastos do governo.

Para finalizar, o noticiário ressalta que essa é apenas mais uma singela confirmação de que o impeachment de Dilma não se deu por conta das supostas “pedaladas fiscais”, como quis fazer crer a facção que agora ocupa o executivo federal. Não foi pela família brasileira, não foi por Deus, não foi contra a corrupção. Foi contra o trabalhador e em favor do empresariado. Foi por impunidade, lucro e poder.

Tags: delcídio do amaral, dilma, eduardo cunha, lula, ministério, parlamento, política, pt

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