Jornal do Brasil

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

País

Delator diz que Lobão recebeu R$ 2 mi em propina por usina de Belo Monte

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Luiz Carlos Martins, um dos executivos da Camargo Corrêa em acordo de delação premiada na Lava Jato, afirmou em depoimento à Polícia Federal que a empreiteira usou uma microempresa sediada em Santana de Parnaíba, em São Paulo, para pagar R$ 2 milhões ao senador Edison Lobão (PMDB). De acordo com ele, o repasse teria relação com a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Martins informou que o peemedebista recebeu o valor porque "teria ajudado a montar os consórcios e para que ele não impusesse obstáculos ao andamento da obra". O depoimento foi feito em março, em Brasília, por ordem do STF, e está no inquérito aberto pelo ministro Edson Fachin, como desdobramento da Lava Jato, a pedido da PGR. As informações são da Folha de S. Paulo.

A Camargo Corrêa entregou documentos sobre pagamentos para a AP Energy Engenharia e Montagem entre 2011 e 2012, quando Lobão era o ministro de Minas e Energia. Os serviços da AP nunca foram prestados, e as notas fiscais são de R$ 1,22 milhão e R$ 1,26 milhão. Conforme indicou o delator, R$ 583 mil ficaram com os responsáveis da AP como "comissão".

Senador do PMDB teria recebido pagamentos porque "teria ajudado a montar os consórcios e para que ele não impusesse obstáculos ao andamento da obra"
Senador do PMDB teria recebido pagamentos porque "teria ajudado a montar os consórcios e para que ele não impusesse obstáculos ao andamento da obra"

Em fevereiro de 2011, a Norte Energia, concessionária de Belo Monte, assinou contrato com um consórcio de dez empreiteiras para as obras da hidrelétrica. A Andrade Gutierrez assumiu a liderança, com 18% das ações, seguida por Camargo e Odebrecht, cada uma com 16%. Martins foi escolhido pela Camargo para ser o representante da empresa nas reuniões do conselho. Ele contou que, no segundo semestre daquele ano, ouviu do representante da Andrade no consórcio, Flávio Barra, que "1%" do valor total das obras deveria ser pago "em partes iguais para os partidos PT e PMDB".

As obras estavam estimadas em R$ 13,4 bilhões, o que renderia propina de R$ 134 milhões para ser dividida entre as empreiteiras. A cota da Camargo seria de R$ 21 milhões. De acordo com Martins, contudo, Barra afirmou que "algumas das construtoras não haviam feito o pagamento devido" e que "Lobão estava fazendo a cobrança em nome do PMDB".

Martins não deu detalhes de como o dinheiro teria chegado a Lobão, mas afirmou "convicção" de que houve o pagamento, porque "cessaram as cobranças".

O advogado do senador Edison Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente "não conhece a empresa AP Energy nem os sócios dela". "Só isso já demonstra a completa mentira e irresponsabilidade da delação. É lamentável que as palavras dos delatores tenham foro de verdade, pois no caso concreto são absolutamente falsas."

Tags: Belo Monte, Corrupção, Edison Lobão, PMDB, STF, empreiteiras, esquema, lava jato

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