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PSDB deve indicar nomes para governo de Michel Temer, diz FHC

Ex-presidente defende "sentido mais realista" a programas sociais

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que o PSDB deve entrar em um possível governo de Michel Temer, indicando nomes, devido à "responsabilidade política" por ter apoiado o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Ele defende que a mandatária "não é criminosa", mas que se trata de um "processo político" com "base jurídica. 

"Quando você perde a capacidade de agregar e de dar direção ao país, fica numa posição frágil. Infelizmente, o governo da presidente Dilma se desmilinguiu. Ela cometeu crime de responsabilidade fiscal e contra lei orçamentária, são ações concretas", defendeu Fernando Henrique em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta terça-feira (26).

Uma ressalva feita pelo tucano sobre o apoio a um eventual governo do peemedebista, contudo, foi a condição de que este não interferisse na Operação Lava Jato. FHC destacou que Michel Temer, primeiro, tem que dizer o que quer e também pensar no país. Para ele, o programa "Uma Ponte para o Futuro" do PMDB é mais liberal que o do governo Dilma, mas dependeria de um outro programa da área social, para promover um equilíbrio. 

Questionado pelo jornal paulista se não seria ruim "ser sócio minoritário de um governo que não é seu, numa situação de crise", FHC respondeu que "política é um jogo arriscado", em que é preciso estar sempre preparado para sair. 

"O PSDB tem responsabilidade política pelo que está acontecendo, porque apoiou o impeachment. Então não pode simplesmente dizer não entro [no governo]. Eu sou propenso a entrar desde que as condições sejam explicitadas. Entrar como partido, indicando nomes, porque a situação do Brasil é mais grave do que aparece", apontou o tucano.

FHC acredita que Michel Temer tem legitimidade democrática, "porque teve tantos votos quanto a Dilma", e que ele poderia ganhar apoio da população a partir de um esforço de aglutinação e ao apresentar resultados. Em uma escala de 0 a 10, Fernando Henrique Cardoso atribuiu nota sete sobre sua confiança de que um governo Temer pode funcionar. 

O ex-presidente comentou ainda que o PT "tem enraizamento" e que portanto deve permanecer. "Erradicar o PT, criminalizar o PT não tem o meu apoio."

Programas sociais e impostos

O ex-presidente também defendeu que seria necessário dar um "sentido mais realista e eficiente" a programas do governo, já que todos padeceriam de uma falta de avaliação. "Isso não é ser de esquerda nem de direita, isso é ser racional. O governo, queira ou não, não tem mais de onde tirar dinheiro. Eu nem vou discutir aumento de imposto, porque vai haver."

Sobre nomes ideais para um Ministério da Fazenda, o tucano ressaltou que alguém que entendesse de política fiscal e de Congresso seria o mais indicado, e apontou o nome do senador José Serra (PSDB), do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e do chefe da Casa Civil nos últimos anos do governo FHC, Pedro Parente. 

>> STF desarquiva ações contra ex-ministros do governo FHC