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Cunha recebeu R$ 5 milhões e até voos de jato como propina, diz delator

Pagamentos foram feitos em espécie no escritório de Cunha no Rio de Janeiro

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O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, disse em depoimento na Operação Lava Jato que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu cerca de R$ 5 milhões em espécie no seu escritório no Rio de Janeiro, além de uma espécie de crédito de R$ 300 mil em horas de voo em jato particular -- verba que seria fruto de desvio de verbas em contratos de fabricação de navios-sonda para a Petrobras. 

O depoimento de Fernando Baiano foi feito no outro final de semana, no dia 10 de setembro. Na ocasião, o lobista deu detalhes sobre os pagamentos feitos ao presidente da Câmara dos Deputados a partir de 2011. Todos eles foram feitos em espécie no escritório de Cunha na Avenida Nilo Peçanha, no Centro do Rio, a Altair Alves Pinto.

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Fernando Baiano teria contado ainda que Eduardo Cunha fez uso de um requerimento na Câmara dos Deputados para chantagear Julio Camargo a lhe pagar o que devia em propina, relacionada a contratos de sonda. Segundo matéria a Folha de S. Paulo, em 2011, deputada aliada de Cunha apresentou requerimento na Câmara por informações sobre contratos da Petrobras com empresas representadas por Camargo, e o nome de Cunha aparece como o autor desses requerimentos. Com isso, Camargo teria acertado o pagamento devido com Baiano e Cunha.

Baiano também contou que conversava com Eduardo Cunha por meio de mensagens de BlackBerry até 2012, quando passaram a utilizar o aplicativo Wickr, que consideravam mais seguro. Disse ainda que deve entregar um e-mail recebido de Cunha com a contabilidade da propina, e que o deputado usava e-mail com a inicial "sacocheio".