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Cunha acusa Janot de vazar informações sobre contas

Cunha volta a negar ter recebido vantagens e alega ser alvo de perseguição

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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), divulgou nota nesta sexta-feira (16) em que chama de "ardilosa" a estratégia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de vazar informações sobre a investigação de que teria recebido propina por meio de contas na Suíça.

A Procuradoria-Geral da República informou nesta sexta que há indícios suficientes de que as contas do presidente da Câmara na Suíça não foram declaradas e "são produto de crime". Em nota, a PGR afirma que não há mais dúvidas sobre a titularidade das contas em relação a Cunha e a sua mulher, Eduardo Cunha.

A PGR pediu ao STF o bloqueio e o sequestro de 2,4 milhões de francos suíços, equivalentes a R$ 9 milhões, atribuídos a Eduardo Cunha em contas na Suíça.

O relatório aponta Cunha e sua mulher como proprietários de oito carros de luxo, entre eles dois veículos da marca Porsche, BMW e Land Rover. Os automóveis estão registrados nas empresas atribuídas a Cunha e Claudia Cruz, a C3 Produções e Jesus.com. A PGR também informou que Cunha tem conta no Banco Merril Lynch, nos Estados Unidos, há mais de 20 anos. Conforme o banco, o presidente da Câmara "é um cliente de perfil agressivo e com interesse em crescimento patrimonial”.

"Essa divulgação foi feita, estranhamente, de forma ostensiva e fatiada em dias diferentes e para veículos de imprensa variados. O fato de esses vazamentos, costumeiramente, ocorrerem às vésperas de finais de semanas ou feriados é outro indicativo de seus objetivos persecutórios”, disse Eduardo Cunha na nota, falando em "estratégia ardilosa adotada pelo procurador-geral da Republica".

Cunha alegou ser alvo de perseguição do procurador-geral e voltou a negar, mesmo após as confirmações de diferentes instituições do Brasil e do exterior, ter recebido vantagens. “O presidente da Câmara nunca recebeu qualquer vantagem de qualquer natureza, de quem quer que seja, referente à Petrobras ou a qualquer outra empresa, órgão publico ou instituição do gênero. Ele refuta com veemência a declaração de que compartilhou qualquer vantagem, com quem quer que seja, e tampouco se utilizou de benefícios para cobrir gasto de qualquer natureza, incluindo pessoal”.

O presidente da Câmara reforçou que a atitude de Janot “coloca em xeque a respeitabilidade de um processo que deveria ser sério – de combate à corrupção –, denigre as instituições e seus líderes e evidencia a perseguição política contra o presidente da Câmara dos Deputados”, diz o texto. “Onde estão as demais denúncias? Cadê os dados dos demais investigados? Como estão os demais inquéritos? Por que o PGR tem essa obstinação pelo presidente da Câmara, agora, covardemente, extensiva a sua família?"

Cunha também aproveitou para destacar que confia no STF, afirmando que o tribunal “fará justiça ao apreciar os fatos imparcialmente e anulando essa perseguição ao presidente da Câmara.” A nota foi divulgada pela assessoria da presidência da Câmara dos Deputados.

Procurada pela imprensa, a Procuradoria-Geral da República informou que não vai se pronunciar sobre a nota do deputado.

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* Com Agência Brasil