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Censo 2010 mostra diferença entre favelas e outras áreas da cidade

Apenas 1,6% dos moradores de aglomerados tinha concluído o ensino superior na época

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Os dados do Questionário da Amostra do Censo 2010, do IBGE, revelam enormes desigualdades entre os chamados "aglomerados subnormais" e outras áreas das cidades. Uma das mais graves disparidades está no nível de escolaridade da população. Enquanto nas favelas apenas 1,6% dos moradores havia concluído o ensino superior, a taxa subia para 14,7% no resto dos municípios. As desigualdades também se evidenciam entre as cinco regiões do país: A região Norte possuía o maior índice de residentes de aglomerados com curso superior, chegando a 2,8% dos moradores; a região Sudeste ficava no final do ranking, com apenas 1,2%.

Para o IBGE, se encaixa na denominação aglomerado subnormal o "conjunto constituído de, no mínimo, 51 unidades habitacionais (barracos, casas, etc.) carentes, em sua maioria de serviços públicos essenciais, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral, de forma desordenada e/ou densa". Para esses locais, creches e escolas públicas eram a escolha de 86,9% dos moradores em 2010, contra 63,7% dos residentes em outras áreas.

Por diversos fatores, incluindo a educação, as diferenças também se mostram na renda mensal. Entre a população das favelas, a renda per capita ficava em torno de meio salário mínimo para 31,6% das pessoas. Em outras áreas fora dos aglomerados, a porcentagem de moradores com esse salário caía pra 13,8%. O contraste se confirma entre as regiões, com proporção de 20,6% e 5,1%, respectivamente, para o Sul e 25,6% e 10,7% para o Sudeste. Por outro lado, pessoas que ganham até cinco salários mínimos representavam 13,4% dos moradores fora das comunidades. Dentro, apenas 0,9% atingiam essa faixa salarial.

A pesquisa divulga ainda que o tempo de deslocamento para o trabalho não muda muito entre os aglomerados e os demais locais. No Brasil, a população que gasta mais de uma hora no trajeto representava 19,7% e 19% entre os dois lugares, respectivamente. No entanto, quando os municípios são analisados, os resultados mudam devido aos históricos de ocupação. No Rio de Janeiro, por exemplo, houve ocupação de encostas ao longo da cidade e as pessoas se instalaram perto de seus trabalhos. Por esse motivo, 21,9% e 26,3% levavam mais uma hora para chegar ao local de trabalho em aglomerados e outras regiões, nessa ordem. Já em São Paulo, que tem relevo pouco acidentado, a ocupação irregular se deu em espaços mais distantes do centro, resultando em 37% dos residentes em favelas levando mais de hora no trajeto, contra 30% no resto da cidade.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil