Nos últimos 20 anos, o tempo de viagem dos trabalhadores para o trabalho, nas Regiões Metropolitanas, teve um crescimento três vezes maior que o dos moradores de outras regiões, alerta comunicado Indicadores de Mobilidade Urbana da PNAD 2012, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quinta-feira (24/10). Para o Ipea, isso mostra que, enquanto os problemas de mobilidade se agravaram, as obras de mobilidade ainda não foram suficientes para melhorar as condições de transporte da população. "O tempo perdido nos deslocamentos de trabalho é um importante indicador de qualidade de vida", lembra o comunicado.
A aquisição de carros privados pelas famílias tem aumentado, mesmo entre as famílias abaixo da linha da pobreza (até meio salário mínimo per capita), ao passo que aumenta também, no entanto, as dificuldades de quem usa o transporte público. De acordo com o Pnad, entre os domicílios com transporte privado há maior percentual de trabalhadores com deslocamento de até 30 minutos, enquanto nos domicílios sem automóveis próprios a ocorrência de viagens com tempo superior a uma hora é maior. "Com a adoção de determinadas políticas de priorização e investimento do transporte público no tráfego urbano, é possível que as viagens de transporte público sejam mais rápidas no futuro, beneficiando as famílias que não possuem veículo privado".
Entre as cidades brasileiras, Porto Alegre é a que possui maior percentual de trabalhadores que levam menos de 30 minutos. A explicação, segundo o Ipea, seria a melhor distribuição das atividades econômicas e atributos positivos do sistema de trânsito e transporte. Rio de Janeiro e São Paulo têm os menores percentuais de trabalhadores com deslocamentos curtos. No Rio de Janeiro, em 2012, 24,7% das pessoas levavam mais de 1 hora até o trabalho, 2,51% a mais que em 1992. Enquanto em São Paulo o volume corresponde a 23,5%, acréscimo de 6,83% em relação a 20 anos antes.
A tendência, alerta, é que aumente o percentual de trabalhadores que gastam mais de uma hora para se deslocar até o trabalho, principalmente nas áreas metropolitanas. Entre as causas disso, estariam as maiores distâncias percorridas, o espraiamento urbano ou um processo de piora nas condições de mobilidade nas cidades, principalmente com relação às condições de trânsito e degradação do transporte público.
"(...) a taxa de motorização da população permanecerá crescendo, o que gerará impactos sobre as condições de mobilidade e tempos de deslocamento, demandando investimentos vultuosos por parte dos governos em melhoria da infraestrutura de mobilidade nas próximas décadas", alerta o comunicado.
Mais da metade dos domicílios brasileiros (54%) dispõe de automóveis ou motocicletas para os deslocamentos. Entre 2008 e 2012, o percentual de domicílios com motocicleta ou automóvel cresceu nove pontos percentuais. No estrato de renda de até um quarto do salário mínimo per capita, 28% das famílias possuem carro ou moto. De 2008 a 2012, a posse de veículos privados na camada mais pobre cresceu 10 pontos percentuais - 35% das famílias abaixo da linha da pobreza já possuem veículo privado.