O Ministério de Minas e Energia afirmou nesta quinta-feira, em nota, que o ministro da pasta, Edison Lobão, recomendou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) “rigorosa fiscalização” sobre o apagão de quarta-feira, que deixou diversas cidades do Nordeste sem energia elétrica durante horas.
Segundo o ministério, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai se reunir na próxima segunda-feira (2) com todos os agentes do setor para elaborar o Relatório de Análise de Perturbação (RAP) sobre o blecaute.
O documento, que deve analisar as causas e apontar os responsáveis pelo episódio, será entregue à Aneel e ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).
Além do ministro Lobão, participaram do encontro o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino; o diretor-presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Bosco de Almeida; o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto e, por videoconferência, do Rio de Janeiro, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, e o diretor de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Carlos de Miranda Farias.
Representantes das empresas responsáveis pelas instalações e equipamentos envolvidos no desligamento também participaram do encontro.
A interrupção no fornecimento de energia foi provocada pelo desligamento automático de duas linhas de transmissão que interligam os sistemas Sudeste/Centro-Oeste com o Nordeste, localizadas entre as subestações Ribeiro Gonçalves e São João do Piauí, no interior do Piauí, afirmou o ONS.
No local foram identificados focos de queimadas. Segundo o ONS, o sistema de segurança atuou isolando a região Nordeste do resto do País às 15h. A recomposição do sistema foi imediatamente acionada e, por volta de 17h30, todas as capitais da região estavam sendo abastecidas.
Ibama não aguarda laudo para apontar queimada como causa de apagão
O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Piauí, Manoel Borges Castro, informou que enviou peritos ao município de Canto do Buriti (a 405 quilômetros de Teresina) para investigar as causas da queimada que teria provocado o apagão. "Somente com o laudo podemos vincular a queimada com o apagão”, disse.
Segundo Castro, o incêndio, ocorrido em uma fazenda chamada Santa Clara, foi de pequena proporção e debelado a tempo. “A queimada foi de tão pequena proporção que não chegou a ser registrada no satélite NOA, que identifica os pontos de fogos no Estado”, disse.
Sistema foi desligado por conta de queimada, segundo ONS
Segundo o ONS, às 14h58, ocorreu o desligamento da linha de transmissão Ribeiro Gonçalves - São João do Piauí (circuito 2). Às 15h04, esse circuito foi religado manualmente, tendo havido um novo desligamento pela mesma razão às 15h06.
Ainda em função da queimada, às 15h08 foi desligada a segunda linha Ribeiro Gonçalves - São João do Piauí (circuito 1), o que, segundo o ONS, configurou “contingência dupla, que conduziu à perda de sincronismo e consequente separação da região Nordeste do restante do Sistema Interligado Nacional (SIN)”.
Conforme o operador, houve perda de carga de aproximadamente 10.900 MW, com o desligamento adicional de outras três linhas de interligação do SIN com a região Nordeste: Presidente Dutra / Teresina Circuitos 1 e 2; Presidente Dutra / Boa Esperança; e Bom Jesus da Lapa / Rio das Éguas.
De acordo com o ONS, após identificada a origem da ocorrência, a recomposição das cargas da região Nordeste foi iniciada. O processo foi concluído, nas capitais, por volta das 17h30.