Funcionários da Advocacia-Geral da União protestaram com panfletagem e carro de som na manhã desta quinta-feira em frente ao prédio da instituição, em Brasília. Os servidores pedem a saída do ministro Luís Inácio Adams, já que seu braço direito na AGU era José Weber Holanda, um dos acusados de envolvimento em um esquema de tráfico de influência dentro do governo, revelado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.
Weber era o segundo na sucessão da AGU, mas foi afastado do cargo após a operação deflagrar. Os servidores se dizem inconformados com o desempenho da cúpula do órgão, e classificou a gestão de praticar uma "advocacia de governo". O presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda(Sinprofaz), Allan Titonelli, disse é isustentável a permanência de Adams à frente da Advocacia-Geral.
"Pedimos que a presidente Dilma afaste o Adams, que não tem condições de chefiar a AGU na medida em que não tem legitimidade de nenhum de vocês", disse Titonelli durante discurso aos manifestantes. "Todo esse movimento deu reflexo neste momento. Vimos como a advocacia de governo é nefasta", declarou o sindicalista, que ainda aproveitou o ato para lembrar que há tempos as carreiras pedem melhoria de estrutura e nomeação de aprovados em concursos para completar os quadros.
Na quarta-feira, senadores convidaram o advogado-geral da União a dar explicações na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização (CMA) da Casa. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também irá ao Senado falar sobre a operação da Polícia Federal.
Operação Porto Seguro
Deflagrada no dia 23 de novembro pela Polícia Federal (PF), a operação Porto Seguro realizou buscas em órgãos federais no Estado de São Paulo e em Brasília para desarticular uma organização criminosa que agia para conseguir pareceres técnicos fraudulentos.