O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, avaliou que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO) ,está se saindo muito bem, firme e coerente, em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira nesta terça-feira. "Ele está tranquilo, já esclareceu tudo e ainda pode responder a qualquer pergunta. Já a CPI é que não está bem. Não é CPI coisa alguma, trazem questionamentos infundados, descabidos, um amontoado de suposições".
Guerra afirmou que havia uma tentativa em transformar a CPI do Cachoeira em CPI do Perillo , mas com o depoimento de hoje isso ficará impossível. "Queriam desviar o foco do mensalão, inverter tudo. Mas agora ficou claro que esse caminho não funciona".
Perguntado a respeito do depoimento do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiróz, agendado para esta quarta-feira no Senado, o presidente dos tucanos não titubeou: "Esse sim a coisa é diferente, ele está até o pescoço. Mas é um governador com 10% de aprovação pelo povo do DF, então, já está julgado, inclusive", deu o tom do embate da próxima sessão da CPI.
Marconi Perillo começou a depor na CPI do Cachoeira na manhã desta terça-feira. Aos membros da comissão, ele negou ter mantido relações "de proximidade" com o contraventor Carlinhos Cachoeira, destacando que há apenas uma ligação sua ao bicheiro registrada pela Polícia Federal, para parabenizá-lo pelo seu aniversário.
Assistido por seu advogado, o governador falava na condição de testemunha. Era grande a presença de parlamentares na sala da CPI, com alguns deputados acompanhando a reunião de pé.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.