O Sindicato dos Rodoviários de Salvador decidiu que entrará em greve a partir das 0h desta quarta-feira. A notícia encerra um ciclo de semanas de negociações frustradas entre os trabalhadores e os empresários do Sindicato das Empresas de Transporte Público de Salvador (Setps). Neste período, houve uma série de reuniões entre patrões e empregados que terminaram em impasse.
A última reunião aconteceu na tarde desta terça-feira aconteceu no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Os empresários do transporte público ofereceram aos trabalhadores um aumento de salários de 4,88%, mas os funcionários queriam 13,8%, entre 8% de ganho real e o restante de acumulados da inflação desde o último aumento.
A proposta foi negada e os rodoviários se recolheram em uma assembleia privada no Ginásio dos Bancários, nos Aflitos, para debater as últimas atitudes antes do início do movimento. Os rodoviários agendaram a primeira rodada de negociações entre categoria e patronato depois do início do movimento para a próxima segunda-feira (28). Neste dia, o TRT julgará o caráter da greve.
Para levar o protesto adiante, os rodoviários terão de lidar com duas liminares expedidas no início da noite de ontem pela desembargadora Vânia Tanajura Chaves, da 5ª Vara da Fazenda Pública. Ela determinou que os trabalhadores deverão manter rodando 60% do efetivo de ônibus nos horários de 5h às 8h e 17h às 20h. No restante do tempo, deverá ter 40% do efetivo de transporte público.
A desembargadora argumentou que a ideia de reforçar os 30% obrigatórios da Lei de Greve ocorreu porque em Salvador a população não dispõe de outro meio sistema de transporte público que possa se apresentar como uma alternativa à greve. Por conta disto, o movimento não poderá penalizar a população, no entendimento da magistrada. Em caso de descumprimento da medida, o sindicato deverá pagar multa diária de R$ 50 mil.
Outras reivindicações do movimento são o retorno do pagamento aos funcionários das empresas a cada 15 dias, fim da terceirização do trabalho de motoristas e cobradores e também a redução da jornada de trabalho de 7h para 6h. Por fim, os rodoviários querem que o plano de saúde Mastermed seja substituído.
A capital baiana já vive a antecipação pela greve dos rodoviários há pelo menos duas semanas. Neste período, rodoviários de chapas opostas à atual direção do sindicato fizeram diversas passeatas e congestionaram vias importantes, como a Antônio Carlos Magalhães, reclamando de baixos salários e da atuação do grupo. Segundo os dissidentes, a diretoria está sob acordo com os patrões para impedir ganhos mais substancias por parte da categoria.
Paralelo a isto, o público acompanhou de maneira tensa o processo de enfrentamento entre rodoviários e integrantes do Setps. Com as últimas rodadas de negociação fracassando uma após a outra, o Sindicato dos Rodoviários divulgou no meio da semana passada a data definitiva do início da greve em caso de não-acordo e o Ministério Público do Trabalho tentou de diversas maneiras evitar a paralisação, mas a falta de acordo quanto aos valores permaneceu inalterada.