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CPI: após autorização, advogado de Cachoeira consulta autos

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Um dia depois de receber autorização da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para acessar os documentos das operações Vegas e Monte Carlo, um advogado da defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira consultou, no início da tarde de hoje, os autos na sala-cofre da CPI. O advogado do escritório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos, defensor de Cachoeira, ficou cerca de trinta minutos na sala, onde verificou os documentos que estão em posse da comissão.

Em reunião na tarde de ontem, os membros da CPI aprovaram o acesso da defesa aos autos, mas sob as mesmas condições a que estão sujeitas os parlamentares e assessores - uma delas é não entrar portando aparelhos eletrônicos. A autorização da CPI saiu depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, concedeu habeas corpus ao bicheiro Carlinhos Cachoeira e o desobrigou de prestar depoimento à CPI (marcado para ontem). Os advogados de defesa do bicheiro haviam pedido acesso aos documentos usados pela comissão, o que foi negado pelo presidente, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

Ainda na reunião de ontem da comissão, os membros remarcaram o depoimento do bicheiro para a próxima terça-feira, dia 22. Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a ida do advogado à comissão foi desnecessária, já que, na opinião do parlamentar, a defesa teve acesso a todos os documentos. Além disso, Alvaro Dias reclama que os autos entregues à CPI não estão completos.

"Pode ter certeza que o advogado do Cachoeira tem mais documentos do que nós temos na sala secreta, e o que temos é falho: há pastas em branco, arquivos que não abrem e relatórios que não vieram. Portanto o advogado não terá muito a consultar, a vinda dele foi um pretexto pra protelar o depoimento do Cachoeira. Não creio que isso tenha somado para a CPI, mas também não somou para o Cachoeira. O que não deveria ter ocorrido é a concessão da liminar para que ele tivesse esse tempo. Por outro lado, a boa notícia é que teremos mais informações para quando ele vier, na próxima terça, porque o sigilo fiscal dele já está disponível", disse o parlamentar.

Carlinhos Cachoeira 

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.