O delegado Rodrigo Garcia, que seguia junto ao comboio que se envolveu no acidente na manhã desta sexta-feira na rodovia ERS-122, em Farroupilha (RS), que acabou matando dois repórteres da Band-RS, relatou que o motorista do caminhão que provocou o acidente admitiu ter tomado remédio para se manter acordado.
Garcia afirma que foram encontradas duas cápsulas do remédio conhecido como rebite junto com o motorista. O condutor, ainda não identificado, foi detido e levado para a delegacia de Farroupilha, onde prestava depoimento. "Ele desceu muito acelerado. Um pouco antes da curva, ele fez uma ultrapassagem. E aí aconteceu tudo isso", lamentou o delegado.
O caminhão, que estava carregado de laranjas, descia a via sentido São Vendelino e perdeu o controle. O motorista afirmou aos policiais que tentou frear, mas acabou colidindo com cinco carros da polícia e três da imprensa. "Ele jogou o caminhão pra cima dos outros carros. O nosso carro, por sorte e pela manobra do motorista, que é experiente, conseguiu escapar. O nosso carro acabou caindo no barranco", disse o delegado.
As vítimas fatais do acidente - o repórter Enildo Paulo Pereira, conhecido como Paulão, 59 anos, e o cinegrafista Ezequiel Barbosa, 27 anos - vinham no carro que foi prensado pelo caminhão que originou o acidente e outro veículo de carga que vinha atrás. Os jornalistas da Band-RS e da RBS iriam cobrir uma ação policial em Caxias do Sul e Farroupilha.
A operação
O comboio da Polícia Civil seguia para as cidades de Caxias do Sul e Farroupilha para desencadear uma operação contra roubos a bancos e caixas eletrônicos. A ação, do Departamento de Investigações Criminais (Deic), pretendia cumprir ao todo 45 mandados - 27 de busca e apreensão e 18 de prisão.
Cerca de 150 policiais haviam sido escalados para ação, no entanto, só parte da equipe, que saiu mais cedo, conseguiu chegar ao destino. No entanto, aproximadamente 12 viaturas, que vinham atrás dos veículo envolvidos na colisão, ficaram impossibilitadas de passar. Segundo o delegado Garcia, seis pessoas foram presas.
"Aquelas pessoas que não se envolveram acabaram cumprindo os mandados. A gente ficou envolvido com a tragédia. Atendendo as pessoas. Mais ou menos um terço do comboio, que seguia pra operação foi atingido. O pessoal que tava na frente conseguiu seguir adiante."