O secretário de Tecnologia do Tribunal Superior Eleitoral, Giuseppe Janino, considerou “positivo” o resultado dos testes a que foram submetidas as urnas eletrônicas a serem usadas nas eleições municipais de outubro, e que foram encerrados na noite desta quinta-feira, depois de três dias de “ataques” promovidos por 24 investigadores, que atuaram conmo se fossem hackers.
“Feitos estrategicamente antes da eleição, o testes de segurança são uma espécie de prova final para comprovar que os requisitos de segurança instalados na urna eletrônica são seguros o suficiente para funcionarem na eleição. O resultado dos testes é sempre positivo para o Tribunal”, comentou Giuseppe Janino.
Os planos
Como resultado dos 20 planos de ataque executados e das sugestões apresentadas pelos participantes, o TSE já implementou uma melhoria no que se refere ao Registro Digital do Voto (RDV), arquivo criado a partir de procedimentos matemáticos (algoritmos), no qual ficam armazenados, de forma embaralhada e aleatória, os votos do eleitor. Essa espécie de tabela foi criada para permitir a auditoria da votação e, inclusive, a recontagem dos votos por parte dos partidos políticos e demais interessados.
Os integrantes do Grupo 1, formado por servidores da Universidade de Brasília (UnB), conseguiram refazer o sequenciamento dos votos apresentados pelo RDV, sem, contudo, quebrar o sigilo do voto. “Nós aprendemos muito com as contribuições dos grupos e já implementamos, imediatamente, um reforço nesse algoritmo, isto é, aumentamos a sua complexidade. Digamos que essa contribuição surtiu efeitos imediatos e nós teremos, certamente, para a eleição de 2012, um algoritmo mais fortalecido”, explicou Janino.
Os resultados e as conclusões dos testes serão apresentados, em audiência pública, no próximo dia 29 de março, às 10h, também na sede do TSE. Os investigadores que participaram do evento receberão certificados, que lhes serão entregues pelo presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski.
Avaliação
Na opinião de Antonio Montes Filho, membro da Comissão Avaliadora dos testes, a segunda edição dos testes “foi melhor que a primeira”, realizada em 2009. “Na primeira edição, apesar da excelente contribuição de vários órgãos da administração pública que se prontificaram em participar dos testes, não houve a fase de preparação. Eles não tiveram acesso ao código-fonte, impedindo que fossem elaborados testes mais complexos”, disse o pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCT).
Para o diretor da Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Jamil Salem Barbar, que também integra a Comissão Avaliadora, os testes mostram a transparência do TSE, ao disponibilizar aos interessados acesso ao sistema eletrônico de votação, receber as contribuições das equipes e implementar as melhorias necessárias.
O estudante do curso de Ciência da Computação da Universidade do Ceará (UECE) Luiz Gonzaga Mota Barbosa participou também do evento. Sua equipe teve como foco relacionar o registro do voto a um eleitor, tentando quebrar o sigilo do voto. Ele avalia os testes como importantes para a sociedade como um todo.
“Sem dúvida, esse evento é bom para todos: tanto para o TSE, como Tribunal, quanto para a universidade e para o eleitor. Antes dos primeiros testes, em 2009, o sistema eletrônico de votação brasileiro era muito obscuro para os cidadãos. E havia aquele receio de que, 'se eles escondem demais, é porque tem alguma coisa mal feita'. Com esses testes, o TSE passa a abrir mais o sistema e começamos a ver que a coisa é um tanto diferente, que o sistema é bem complexo”, concluiu o estudante universitário.