Presidente: Liga estuda levar apuração para hotel, sem público
O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, Paulo Sergio Ferreira, afirmou nesta quarta-feira (22) que, para o ano que vem, será estudada uma nova maneira de apuração. "Talvez colocar dentro de um hotel, sem público", disse ele após o tumulto que suspendeu a avaliação das escolas ontem. Segundo ele, a confusão foi algo inédito em 25 anos de Liga: "nós não temos nenhum registro de uma invasão nesse sentido. Nós não podemos vendar os olhos, a situação é clara".
Ferreira negou ainda que tenha havido qualquer tipo de acordo para que não houvesse campeã nem rebaixadas no Carnaval de São Paulo. A informação foi dada ontem pelo diretor financeiro da Camisa Verde e Branco, José Albuquerque dos Santos. Segundo ele, o acordo ocorreu devido à troca de dois jurados, que ocorreu na quinta-feira. "Não teve acordo nenhum, a Liga trabalha com o regulamento. Os presidentes estão falando besteira simplesmente para tumultuar", reagiu Ferreira.
Ele também criticou a atuação da Polícia Militar para conter o tumulto. "Se você analisar as imagens, as pessoas que tentaram impedir algo foram os seguranças contratados pela Liga (120 estavam no sambódromo). Para nossa surpresa, a PM não tomou nenhuma atitude". Mais cedo, a corporação já havia negado que tenham ocorrido falhas no policiamento: "não registramos nenhuma pessoa ferida e a Polícia Militar agiu rapidamente para não haver confusão entre as torcidas".
Sobre a ameaça da prefeitura de deixar de repassar 30% das verbas dos desfiles, Ferreira afirmou que seria uma grande perda. Além disso, "o impacto nos patrocinadores que estão chegando é o maior prejuízo". Mas ele afirmou que, se a prefeitura assumir a parte de segurança do sambódromo seria melhor, pois não haveria a necessidade de contratar seguranças particulares.
Ainda sobre a participação de escolas ligadas a torcidas organizadas no Carnaval, o presidente disse ser uma questão que pode ser reavaliada. "Cabe a nós definir se vale a pena rever (a presença das escolas) ou se as coisas precisam ser repensadas. Eles não ocasionaram esse tipo de coisa dentro dos desfiles", finalizou.
Entenda o caso
Uma confusão promovida por integrantes de escolas de samba interrompeu a apuração do Carnaval de São Paulo nesta terça-feira (21). Faltando apenas uma nota dez para assegurar o título para a Mocidade Alegre, Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, integrante da Império de Casa Verde, invadiu a área de apuração, tomou o último envelope das mãos do leitor e o rasgou.
O delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), anunciou a detenção do principal responsável por todo o tumulto. Caue Santos Pereira, 20 anos, integrante da Gaviões da Fiel, também foi detido, este por atirar objetos. De acordo com o major da Polícia Militar de São Paulo, Alexandre Gaspariano, cinco integrantes de escolas de samba foram detidos.
Com isso, a confusão se tornou generalizada e a leitura das notas foi interrompida. Até este ponto, a Mocidade Alegre liderava a apuração com um total de 160 pontos. Solange Bichara, presidente da agremiação, evitou considerar a escola campeã do Carnaval de 2012. "Não posso me considerar campeã por algo que não aconteceu", afirmou.
Uma reunião extraordinária entre a Liga das Esclas de Samba e os diretores das agremiações foi montada para decidir o desfecho do Carnaval 2012.
O tumulto se espalhou no entorno do Sambódromo. Torcedores foram vistos chutando os portões próximos à área da dispersão. Pouco depois, um carro alegórico da Pérola Negra foi incendiado por um grupo ainda não identificado. A alegoria tinha estrutura toda de palha, representando um índio gigante, e foi totalmente destruída pelo fogo.

