A família de Eloá Cristina Pimentel, morta em 2008 após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, comemorou na noite desta quinta-feira a condenação de Lindemberg Alves Fernandes. "Justiça foi feita, graças a Deus", disse Ana Cristina Pimentel, mãe da vítima. Ao ouvir a sentença de 98 anos e 10 meses de prisão, ela abraçou o filho Ronickson e os dois choraram. A sentença foi celebrada também pelos advogados da família e pela promotoria, que consideraram a decisão fundamentada.
Muito emocionada, a mãe de Eloá agradeceu o trabalho dos advogados, da promotoria, da Justiça e da imprensa. "Nada vai suprir a minha dor", afirmou, antes de deixar o fórum. A mãe de Nayara, Andreia Rodrigues, disse esperar que sua filha, que foi baleada no desfecho do cárcere, possa retomar a sua vida. Questionada se perdoava Lindemberg, ela respondeu: "não sou eu que tenho que perdoar. É Deus."
Mais de 300 pessoas acompanhavam o final do julgamento do lado de fora do prédio. Com o anúncio da condenação, o público comemorou e gritou "justiça" e "é, é, é, volta para Tremembé", em referência à penitenciária de Tremembé, onde Lindemberg está preso. Ele ouviu a sentença de cabeça baixa e foi retirado do plenário assim que a leitura terminou.
A promotora Daniela Hashimoto saiu aplaudida do fórum. Ela também comemorou a decisão dos jurados. "Entendi que foi a resposta da sociedade para dar um basta a essa banalização da violência", disse. Ela afirmou também que esperava que a sentença pudesse confortar as famílias das vítimas.
"No meu entendimento, a juíza fundamentou com toda a sabedoria a sentença", afirmou a promotora, acrescentando que Lindemberg tentou manipular os jurados. "Ele foi dissimulado e arrogante, e demonstrou a personalidade que ele realmente tinha", disse.
A promotora ainda elogiou a atuação da defesa de Lindemberg, mas acrescentou que ela pode responder por crime contra a honra devido à afirmação de que a juíza Milena Dias deveria "voltar a estudar". "Atuação da defensora foi bastante combativa. Eu diria que ela usou todos os recursos jurídicos possíveis." Daniela finalizou dizendo que não acredita na anulação do júri.