Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

País

Termina primeiro dia de julgamento de acusado de matar Eloá

Portal Terra

O primeiro dia de julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar Eloá Pimentel em Santo André, no ABC, foi suspenso por volta das 20h desta segunda-feira (13) e será retomado às 9h desta terça-feira (14).

O acusado deixou o fórum e passará a noite em um Centro de Detenção Provisória (CDP) na região. 

O sargento da PM Atos Valeriano - primeiro a atender a ocorrência - classificou Lindemberg como "desequilibrado". Ele foi o último a dar o seu depoimento, que durou cerca de 45 minutos. Valeriano, escapou de um tiro durante o sequestro. 

Lindemberg Alves, acusado de matar a estudante Eloá Pimentel em 2008
Lindemberg Alves, acusado de matar a estudante Eloá Pimentel em 2008

Antes do policial, os três jovens que foram mantidos reféns por Lindemberg, mas sobreviveram ao cárcere privado, falaram no julgamento.

Iago Vilera prestou depoimento por mais de 30 minutos. O acusado voltou à sala do júri sem algemas e escoltado por dois PMs para assistir ao depoimento, já que o jovem não se opôs à presença dele.

"Ele falava que ela não ia sair viva de lá. Ela só chorava", afirmou Iago, sobre o ex-casal.

O estudante Victor de Campos, também mantido refém, foi o segundo a falar no julgamento. 

"Ele disse que tinha munição para ficar o tempo que fosse", relatou Victor, acrescentando que Lindemberg ameaçou "dar um tiro em alguém para Eloá ver que ele não estava de brincadeira".

Em depoimento de 38 minutos, Nayara Rodrigues afirmou que réu dizia que queria matar Eloá desde o primeiro dia do cárcere e que se surpreendeu ao encontrar a ex-namorada com três amigos no apartamento. Por isso, decidiu fazer os quatro reféns.

Homem protesta em frente ao fórum preso em uma cruz com fotos de Eloá 
Homem protesta em frente ao fórum preso em uma cruz com fotos de Eloá 

Nayara se manteve calma durante todo o depoimento e, em apenas um momento, parou alguns segundos, aparentemente emocionada. Ela relatou que, no período que conviveu com o casal, ambos tinham uma vida aparentemente normal e que as discussões começaram depois que Eloá terminou o namoro com ele. "Era comum ele afirmar que ia terminar o namoro com ela, mas Lindemberg sempre voltava como se nada tivesse acontecido. Quando ela resolveu terminar, era ele quem não aceitava", disse.

Dentro do apartamento, Nayara afirmou que em vários momentos temeu pela integridade física da amiga e dela própria. Explicou que depois de deixar o apartamento, voltou ao local a pedido da polícia, para ajudar na negociação pelo fim do cárcere privado. "Fui até a porta e quando cheguei, vi ele com uma arma apontada para a cabeça da Eloá por uma fresta. Não tive outra alternativa a não ser entrar no apartamento. Se eu voltasse, ele poderia atirar contra ela ou contra mim", afirmou.

Nayara disse que no tempo que ela permaneceu no apartamento ele efetuou pelo menos cinco disparos. Um deles foi com uma espingarda que ele encontrou na casa, por acidente.

A jovem reafirmou que Lindemberg não disparou contra as reféns antes da invasão da polícia e acrescentou que, no momento da explosão da porta, o réu havia recém colocado uma mesa na entrada do apartamento - o móvel atrapalhou a entrada da polícia e teria dado tempo para que Lindemberg efetuasse os disparos.

Nayara afirmu à juíza que depois do fato mudou de escola e teve de fazer tratamento psicológico e psiquiátrico. Baleada na boca, ela perdeu um dente e ainda carece de uma cirurgia para recompor a parte óssea da boca.

Cárcere de 101 horas termina com morte trágica

Elóa, ex-namorada de Lindemberg, morreu em 17 de outubro de 2008, após 101 horas de cárcere privado. Motivado pela inconformidade com o fim do relacionamento, o acusado invadiu o apartamento da ex-namorada e a proibiu, sob a mira de duas armas, junto com a amiga Nayara Rodrigues da Silva, de deixar o imóvel. Eloá morreu após ser atingida por dois tiros: um na cabeça e outro na virilha.

Elóa morreu em 17 de outubro de 2008, após 101 horas de cárcere privado 
Elóa morreu em 17 de outubro de 2008, após 101 horas de cárcere privado 

Lindemberg invadiu o apartamento no dia 13 de outubro, rendendo Eloá, Nayara e mais dois colegas de aula das jovens, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira, que logo foram libertados pelo acusado. A amiga de Eloá, que também chegou a deixar o cativeiro, no dia 14, retornou ao imóvel dois dias depois para negociar com Lindemberg, momento em que, ao entrar no apartamento, voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17, a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg atirou contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto.

No dia 13 de fevereiro de 2012, teve início o julgamento de Lindemberg, no Fórum de Santo André, na Grande São Paulo. O júri popular foi composto por seis homens e uma mulher.

Tags: Caso, eloá, julgamento, lindenberg, SP

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