Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

País

Editorial - O Feitiço e o Feiticeiro 

Jornal do Brasil

O móvel da mais recente pendenga intra muros do judiciário, que confronta o CNJ e o STF, é a explicação da quebra de sigilo bancário de mais de 200 mil pessoas no afã de encontrar irregularidades.

Os albores do noticiário recente davam conta de que as operações eram ilícitas e, por isso, poderiam ser objeto de investigações.

O Supremo Tribunal Federal entendeu que, sem fato certo, restaria insustentável essa bisbilhotice.

O momento agora é de metáforas; vale dizer: afirma-se que nem tudo que é atípico é ilegal!!!

O Brasil é um Estado Democrático de Direito e por isso somente o que é ilegal pode ser fruto de quebra de sigilo desde que autorizado "judicialmente".

Tanto quanto nos é possível conhecer, nem o CNJ e nem o Coaf exercem funções judiciais, razão pela qual esse aleijão jurídico "atípico-legal" é eufemismo para encobrir ilegalidade e manifesta afronta à Constituição.

Mas, o que realmente chama a atenção é que essas supostas operações têm identidade, e que somente o CNJ e o Coaf sabem.

Seria lícito lançar uma nuvem de suspeita em toda a magistratura com esse inequívoco conhecimento de causa?

A fragilização de uma instituição tão cara à democracia como o é o Poder Judiciário e a sua Suprema Corte não se revela como uma faca de gumes perigosos para a nação?

Acresce a tudo isso um questionamento que resta irrespondível: se as supostas operações "atípicas" são tão antigas, onde andava o Coaf que não as noticiou?

A resposta "típica" parece conduzir-nos ao velho ditado: "Esse feitiço pode virar contra o feiticeiro..."

Tags: Artigo, editorial, JB, Jornal, justiça

Comentários

4 comentários
  • Felipe Reis, Niterói
    Felipe Reis, Niterói

    "A fragilização de uma instituição tão cara à democracia como o é o Poder Judiciário e a sua Suprema Corte não se revela como uma faca de gumes perigosos para a nação?"

    Sim, sem dúvida! E isso deveria ser levado em conta, quando os magistrados, do alto dos seus corporativismo e arrogância, colocam-se como uma classe elitisada superior aos brasileiros "normais". Os magistrados são os primeiros a fragilizar o judiciário.

  • carlos eduardo, natal
    carlos eduardo, natal

    É um verdadeiro absurdo essa bisbilhotice toda. Como servidor do judiciário federal estou pasmo ao saber que eu e minha familia sofremos essa verdadeira devassa em nossas movimentações financeiras. Para aqueles que acham que os fins justificam os meios, vale lembrar que foi violado um direito fundamental, e a quebra de um pode levar a quebra de outros sob qualquer pretexto. Esse é o Brasil (autoritário) de Lula, Dilma e o PT.

  • Eugênio L. Sarmento, Rio de Janeiro
    Eugênio L. Sarmento, Rio de Janeiro

    O fato é que um servidor público transacionou em um ano a quantia de R$ 282 milhões de reais. Tentar abafar o caso é que não dá. Os todos poderosos do Judiciário deveriam ser os primeiros a quererem uma investigação completa. Não aceitar a investigação é a pior saída possível. Se isto ocorrer todo o Judiciário ficará muito mal perante a nação. Também é certo que o COAF demorou demais para indicar a movimentação anormal que aconteceu em 2002.

  • Francisca Gomes, Natal
    Francisca Gomes, Natal

    Por mim, podem investigar à vontade.Quem não deve,não teme. Se investigarem as minhas vão ter pena e vão querer me dar um aumento. Faço parte do Judicário e não sou marajá, estou há cinco sem reajuste nenhum.

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