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PM implanta base comunitária dentro da USP nesta quarta-feira

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A Polícia Militar implanta nesta quarta-feira uma Base Comunitária Móvel próximo ao Portão 1 da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, zona oeste da capital. A assessoria de imprensa da PM informou que a base não havia sido instalada até as 15h, e não havia previsão para o início do funcionamento.

De acordo com a PM, o efetivo da base será de 44 policiais militares, que trabalharão das 7h às 23h. O policiamento da madrugada será feito por viaturas de área. Em nota oficial, a polícia afirmou que os envolvidos no patrulhamento receberão curso de Direitos Humanos ministrado por instrutores da PM e por "docentes da USP".

O trabalho da base comunitária, segundo a Polícia Militar, envolverá rondas policiais constantes, visitas comunitárias às faculdades e participação em serviços da USP voltados à defesa da cidadania, dos direitos humanos e à interação com a comunidade externa. A PM ressaltou ainda que o policiamento comunitário não é privilégio do campus da USP e que ele "vem sendo empregado há anos pela Policia Militar em várias regiões do Estado de São Paulo".

A implantação da base comunitária ocorre no mesmo dia em que estudantes da universidade preparam um novo ato de protesto. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a manifestação será às 16h, em frente à reitoria, e exigirá que o reitor da USP, João Grandino Rodas, preste contas em uma Audiência Pública, marcada para as 18h de hoje.

O convite ao reitor foi enviado por e-mail por representantes dos alunos. A assessoria de imprensa da reitoria confirmou hoje ter recebido a mensagem e concordou "em receber grupo de delegados para conversar com os Órgãos Centrais, incluindo o Conselho Gestor da Cidade Universitária 'Armando de Salles Oliveira', em local e hora a serem mutuamente acordados". A nota oficial complementou dizendo que a "Administração Central sempre esteve aberta ao diálogo, julgando-o positivo para o esclarecimento e busca de soluções".

Uma nova onda de manifestações estudantis surgiu na universidade após cerca de 400 homens da Polícia Militar cumprirem uma ação judicial de reintegração de posse do prédio da reitoria da USP, ocupado por alunos havia seis dias.

Reintegração de posse

A PM mobilizou um efetivo de 400 homens da tropa de choque, da cavalaria e até mesmo do grupamento aéreo (Águia) para o cumprimento de mandado judicial de desocupação da reitoria por volta das 5h de terça-feira, horário escolhido para surpreender os ocupantes do prédio. O prazo para a saída espontânea dos manifestantes do local havia se esgotado às 23h de segunda-feira, após trégua negociada com a Justiça. Descontentes com as propostas da administração da USP, que aceita rever, mas descarta revogar o convênio com a PM, os estudantes e funcionários decidiram prolongar a ocupação, mas não resistiram à operação de reintegração de posse, preferindo empunhar flores em protesto irônico diante do forte aparato policial. Mais de 70 foram presos, mas liberados.

A tomada da reitoria foi levada a cabo por parte de um grupo insatisfeito com o resultado de uma votação em assembleia que decidiu, na terça-feira da semana passada, por 559 votos a 458, encerrar a ocupação do prédio de administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O grupo deslocou o portão de trás do edifício da Administração Central, usando paus, pedras e cavaletes, e em poucos minutos chegou ao saguão principal do prédio. A FFLCH havia sido ocupada depois que a PM abordou três estudantes no campus por porte de maconha na quinta-feira da semana retrasada e tentou levar os usuários detidos. Os policiais usaram gás lacrimogênio, e alunos teriam ficado feridos após confronto.