ASSINE
search button

Zara fará "firme repúdio", após denúncias de trabalho escravo

Compartilhar

São Paulo - Após denúncias de trabalho escravo em oficinas da Zara, o diretor global de relações institucionais do grupo Inditex, do qual faz parte a marca, Jesus Echevarria, será ouvido na tarde desta quarta-feira, em São Paulo, por deputados da Comissão de Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais, da Assembleia Legislativa do Estado. 

De acordo com a assessoria de imprensa da Zara, Echevarria lerá um discurso de 12 páginas aos membros da comissão. O texto diz que a presença dos representantes da Zara no local foi motivada por "fatos absolutamente intoleráveis", destaca "firme repúdio" ao caso e alega que a "companhia sofreu uma situação que não foi criada por nós (pela companhia)". O presidente da Zara Brasil, Enrique Huerta, também comparece à sessão.

"(...) Esse fato tem causado um dano irreparável ao patrimônio mais valioso que nós possuímos: nossa reputação e credibilidade de honestidade e justiça em todo o mundo. Por isso, a Inditex entende que só existe uma via para a solução urgente: resolver, corrigir e garantir que tal situação não volte a acontecer no futuro", afirma o texto, que afirma ainda que a fiscalização realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego os tornou "cientes de que um de nossos fornecedores, do qual o Grupo (Inditex) adquiria um produto acabado, teria desviado a produção para duas subcontratadas não autorizadas". O fornecedor, de acordo com o representante da Zara, seria responsável por 5% do total do grupo Inditex no Brasil. O discurso complementa que as "oficinas irregulares só fabricaram um número reduzido de roupas".

O texto, que afirma que a "principal preocupação neste caso tem sido as pessoas afetadas", informa ainda que a Inditex ofereceu emprego aos trabalhadores lesados na companhia "na área logística ou na comercial, as únicas que a Zara dispõe no Brasil". E completa: "até o presente momento, três delas se dispuseram a aceitar a oferta. As outras três, que eram os donos das oficinas, manifestaram a intenção de continuar trabalhando em suas oficinas".

Além do discurso que será lido pelo diretor, segundo a assessoria de imprensa da Zara, será distribuído aos deputados que compõem a comissão um dossiê informativo com 121 páginas. Por volta das 13h30, Luiz Alexandre de Faria, representante do Ministério do Trabalho e Emprego, iniciou uma apresentação aos deputados onde faz um histórico de outros casos de trabalho escravo no Brasil e a atuação do ministério em casos relacionados. O plenário Pedro I, onde acontece a sessão, está lotado e conta também com a participação de representantes do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.