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É possível combater corrupção no Turismo, diz novo ministro

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O novo ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA), afirmou nesta quinta-feira que é "claro" que é possível combater episódios de corrupção na pasta. O deputado maranhense escolhido para suceder Pedro Novais, afastado após denúncias de que teria utilizado recursos públicos para pagar uma governanta e um motorista, deve tomar posse nesta sexta-feira.

Ao participar do Fórum Nacional do PMDB, em Brasília, Vieira disse ser possível acabar com os focos de corrupção no ministério se forem adotadas as medidas saneadoras sugeridas por órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-geral da União (CGU).

"Claro, se você usa os órgãos competentes do governo e adota medidas preventivas, tudo isso é possível de ser feito. Podem ter a mais absoluta certeza. Se há problema de corrupção, está sendo apurado pelos órgãos competentes, e a recomendação dos órgãos será claramente adotada pelo ministro", afirmou.

Ainda que não tenha tomado posse, o novo ministro disse que sua prioridade à frente da pasta será fortalecer o Ministério do Turismo para a Copa do Mundo de 2014. "A prioridade é fazer com que o Ministério do Turismo tenha uma participação bem forte no evento da Copa do Mundo, que, aliás, é um papel do ministério e que ele precisa exercê-lo para que a gente possa mais rapidamente vencer dificuldades que aqui ou ali estão sendo apontadas para a realização da Copa do Mundo", relatou ele, que comentou a redução orçamentária que sofreu a pasta.

"O orçamento do Turismo - tenho uma informação parcial - foi extremamente contingenciado, foi bastante reduzido. A tarefa do novo ministro será certamente buscar mais recursos para recompor o orçamento", disse.

A crise no Turismo

Pedro Novais (PMDB) entregou o cargo de ministro do Turismo no dia 14 de setembro, depois de sua situação política ter se deteriorado por suspeitas de que ele teria usado recursos públicos para o pagamento de uma governanta e de um motorista para a família. A denúncia não foi a primeira e tornou a permanência de Novais insustentável, apesar do apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele foi o quinto ministro a deixar o posto no governo Dilma Rousseff.

A crise no Turismo começou com a deflagração da Operação Voucher, da Polícia Federal (PF), que prendeu, no início de agosto, 36 suspeitos de envolvimento no desvio de recursos de um convênio firmado entre a pasta e uma ONG sediada no Amapá. Entre os presos estavam o secretário-executivo do ministério, Frederico Silva da Costa, o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, e um ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Dias depois, o jornal Correio Braziliense publicou reportagem que afirmava que Novais teria sido alertado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as irregularidades do ministério 47 dias antes da operação da PF, sem tomar qualquer medida. Novais negou que tivesse recebido o aviso.

No dia 20 de agosto, a Folha de S.Paulo afirmou que uma emenda ao Orçamento da União feita por Novais em 2010, quando ainda era deputado federal, liberou R$ 1 milhão do Ministério do Turismo a uma empreiteira fantasma. O jornal voltou à carga em setembro, denunciando que o ministro teria usado dinheiro público para pagar a governanta de seu apartamento em Brasília de 2003 a 2010, quando ele era deputado federal pelo Maranhão. Em outro caso, o ministro utilizaria irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista particular de sua mulher, Maria Helena de Melo.