O ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, negou nesta quinta-feira que tenha havido interferência do Palácio do Planalto na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na noite desta quarta surpreendeu e cortou a taxa básica de juros, em 0,5 ponto percentual, alterando a Selic de 12,5% para 12% ao ano.
"Acho que estranho que toda vez que o Banco Central elevou a taxa de juros nunca se falou em interferência do Planalto. Acho que essa crítica (de suposta interferência do Planalto) subestima o papel que o Banco Central vem jogando ao longo dos últimos anos no Brasil. O que o Banco Central fez é ter feito uma análise da situação internacional - todo mundo está vendo o tamanho da crise e da recessão que está ocorrendo no mundo todo - enxergou as medidas que o governo está tomando, inclusive esse esforço enorme que o governo está fazendo no sentido de elevar o superávit primário e fez a análise que sempre faz e que desta vez incidiu na queda de juros", disse Carvalho, que participou de reunião com a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados.
"O governo vê com bons olhos a queda de juros porque isso pode nos ajudar muito do ponto de vista da retomada da economia no momento crítico que estamos vivendo e seguiremos agindo com responsabilidade", completou ele, que ainda elogiou a decisão de se elevar o superávit primário em R$ 10 bilhões como mecanismo para fortalecer a economia brasileira diante da crise econômica mundial.
"Essa elevação do superávit primário, essa medida dura que tomamos, deixa muito claro o grau de responsabilidade que o governo da presidente Dilma está tendo em relação à questão da economia. Pudemos aumentar a meta de superávit na medida em que nós observamos um aumento da arrecadação. Na medida em que fatos novos se interponham em que situações conjunturais te permitam um superávit maior, você pode praticá-lo. A previsão não é necessariamente uma obrigação que nós temos. É uma previsão séria, mas está sujeita sempre a fatos conjunturais. Não acho que a gente deva fazer nem grandes celebrações nem grandes lamentos. Temos que respeitar a autonomia do Banco Central", afirmou.