Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Novembro de 2014

País

Grupo de "caçadores de monstros" acusa assombração de assassinato em Minas

Portal TerraDaniel Fávero

Um grupo de moradores da região de Mariana, a 114 km de Belo Horizonte (MG) criou a Associação de Caçadores de Monstros e Assombração de Mariana para comprovar que a população local é vítima de ataques de criaturas cientificamente não catalogadas pelo homem. São mais de 30, entre elas, gigantes, Cavaleiro da Quaresma, Emília, Noiva Furquim, Maria Sabão e o temido o Caboclo d' Água, cujo registro fotográfico vale R$ 10 mil para os caçadores.

O grupo foi criado no primeiro final de semana após a lua cheia de janeiro de 2008 para estudar o caso do Caboclo d'Água, mas logo abriu as investigações para outros tipos de criaturas devido ao número de relatos de ataques de diferentes assombrações e monstros. Em um desses casos, a polícia teria buscado auxílio do grupo para identificar um dos "bichos" acusados de um ataque.

"Quando todo esse folclore mata um boi, uma pessoa, até a polícia busca informação com a associação. Teve um rapaz que foi atacado no rio Carmo e registrou no Boletim de Ocorrência que tinha sido atacado pela Maria Sabão. No outro dia, a polícia veio na associação perguntar quem era a assombração", explica um dos integrantes do grupo, Leandro Henrique dos Santos, responsável pelo jornal O Espeto, onde são divulgados os casos e relatos estudados pelo grupo. De acordo com o informativo dos caçadores, no outro dia a viatura da polícia estava procurando Maria Sabão para entregar-lhe uma intimação.

Imagem do caboclo d'água, suposta assombração responsável por assassinato
Imagem do caboclo d'água, suposta assombração responsável por assassinato

Santos vai mais longe e acusa outra assombração, o Caboclo d'Água, de assassinato. "Um moço foi encontrado morto na beira do rio com os testículos arrancados. Os bombeiros só disseram que foi um animal grande, mas não souberam informar qual. Não temos jacarés, nem peixes que ataquem aqui na região. Por isso consideramos que o Caboclo d'Água é a única assombração acusada de homicídio", diz Santos.

Segundo o caçador, nas investigações, o grupo conta com a ajuda de câmeras infravermelhas e GPS. Para que seja iniciada a investigação, são necessários alguns procedimentos de reconhecimento da autenticidade do ataque. "Não adianta uma pessoa vir sozinha dizer que viu alguma assombração. Existe todo um procedimento para abrir um caso", diz.

Para o reconhecimento é necessário:

- Avistamento por mais de uma pessoa, em diferentes épocas

- Comprovação de perturbação social, já que o grupo não persegue assombrações pacíficas

- Comprovação de fato real vinculado a assombração (boletim de ocorrência policial, atestado de atendimento médico, prova de ataque a humanos ou animais, como ferimentos e cadáveres)

- Descrição da assombração ou monstro para fazer um retrato-falado.

Em um dessas caçadas, o presidente da associação, professor Milton Brigoline Neme, se perdeu na mata seguindo rastros do Caboclo d'Água. Mas após esforços do Corpo de Bombeiros, integrantes da associação e colaboradores, o professor foi localizado na fazenda de seu pai. "Ele torceu um pé ao pular um barranco e não conseguiu voltar pela trilha e na fazenda não funcionava celular, mas felizmente tudo deu certo", diz Santos.

No domingo, às 14h, será inaugurada a sede da associação em Mariana, onde o próprio presidente estará presente para contar sobre a última aventura para os 47 associados e mais de 100 colaboradores do grupo.

Conheça algumas das criaturas investigas pelo grupo, segundo material divulgado pelos próprios caçadores:

Maria Sabão: Descrita como mulher negra forte que no século XVIII fazia sabão com abacate e sebo. Seu dono a mandou fazer sabão com sebo de meninos que morriam em acidentes nas minas do Morro Santo Antônio, Passagem de Mariana. Também começaram a ameaçar meninos problema com o castigo de serem transformados em sabão. Isso a perturbou, tanto que até hoje persegue caçando meninos mal criados, que falam palavrão, para fazer sabão. Essa é uma assombração que tem residência fixa, uma mina de ouro abandonada cuja boca de entrada se dá numa rua chamada Boqueirão, justamente pela boca da mina.

Noiva de Furquim: Aparece na entrada do distrito de Furquim. É a história de um acidente de ônibus, no qual uma noiva e mais 11 passageiros faleceram, na década de 70. Porém, quem prestou socorro roubou a aliança da defunta. Sendo assim, ela sempre aparece na beira da estrada dando sinal aos carros. Como é muito bonita, motoristas param, ela entra no carro ou ônibus e depois some. Segundo o grupo, um enfermeiro de Acaiaca, duvidando da história, parou no local onde ela é vista e a chamou, só que ele não esperava que ela aparecesse. E apareceu. O enfermeiro passou mal, desmaiou e foi levado para o Hospital de Mariana. Ele colaborou no retrato falado da noiva.

Cavaleiro da Quaresma: Em Diogo de Vasconcelos, este cavaleiro é famoso. Seu cavalo, de tão veloz, ultrapassa até carros, segundo os relatos. Ele detesta cachorros, dá chicotadas e fere os cães. Ultimamente, tem aparecido fora de época, isto é, fora da quaresma.

Gigantes: São avistadas assombrações enormes no Morro Santana, em Mariana, deixando marcas profundas no chão. Os gigantes moram em minas e podem crescer e diminuir.

Emília: É uma assombração que dança quadrilha em Ouro Preto. Emília era filha de um comerciante e namorava escondida um rapaz conhecido como Bolão, estudante de engenharia da Escola de Minas de Ouro Preto, no início do século passado. Para se encontrar, ela tocava o sino da igreja, com batidas pausadas. Quando Bolão foi fazer mestrado em Portugal, o pai da jovem, que descobriu o namoro e tinha outros planos para filha, disse à Emília que o navio de Bolão tinha afundado. Ela morreu apaixonada, sempre tocando o sino. Quando Bolão regressou, foi procurar Emília, ficou sabendo da história e se matou. Hoje, a casa de Emília é a única da rua que está em ruínas, no centro de Ouro Preto, pois ninguém quis morar mais lá.

Capitão Jacks: A assombração, um inglês, foi o chefe de uma área da Mina de Ouro de Passagem (OPM) que morreu dentro da mina. Um administrador de Belo Horizonte foi contratado para ser diretor da OPM. Após dois meses trabalhando no local, encontrou um homem à cavalo, todo de branco. O administrador perguntou quem ele era, a assombração respondeu em inglês "I am Captain Jacks" (Sou capitão Jacks) e foi embora galopando. Irritado, o diretor fez uma reunião com funcionários e seguranças cobrando como deixaram um homem à cavalo invadir a mina. Então, um funcionário antigo levou o diretor ao cemitério anglicano em ruínas que fica dentro da OPM e mostrou a sepultura de capitão Jacks. No mesmo dia o administrador pediu demissão.

Caboclo D'Água: Monstro híbrido de lagartixa, macaco e galinha, que ataca às margens do rio do Carmo, de Mariana até Barra Longa. É relatado por muitas testemunhas, em tempos diferentes, e tem três retratos falados. Os ataques ocorrem de setembro a dezembro. Dois tiveram vítimas fatais. Em um garimpo no distrito de Bandeirantes, cortado pelo rio do Carmo, o caboclo foi visto entrando no poço e os trabalhadores, por isso, tiveram que parar os serviços. A maioria das aparições ocorre em Barra Longa, onde o rio já é mais caudaloso e tem maior número de cabeças de gado, alimento favorito do caboclo.

Mãe do Ouro: É uma bola de fogo que passa pelos matos sem queimar. Os relatos datam de mais de 200 anos. Um garimpo em Bento Rodrigues, que nem a policia conseguia fechar, foi abandonado às pressas por causa dela. Terezinha Ramos, ex-prefeita de Mariana, declarou que seu irmão queimou os olhos por olhar para a Mãe do Ouro. Também existem relatos de ataques em Camargos, onde um morador deu um tiro na bola de fogo, que cresceu e o perseguiu.

Mulher de branco: Vista pelas ruas, tarde da noite, caminhando em direção ao cemitério. Várias aparições da mulher foram relatadas em Passagem.

Homem toco: É um monstro que ataca viajantes, coloca raízes para provocar quedas de cavalos e acidentes de veículos. Ele é muito temido em Diogo de Vasconcelos. É um toco que se move rapidamente e controla suas raízes.

Lambizome pezão: É um lobisomem que tem pé grande e lambe suas vítimas antes de morder, por isso "Lambizome". Uma das vítimas foi parar no hospital após ter sido derrubado de sua moto pela criatura. Ele aparece entre Padre Viegas, Mainart, Diogo de Vasconcelos. Já foi atropelado e amassou um carro.

Tags: assombração, caça-fantasmas, Minas Gerais, monstros

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Comentários

5 comentários
  • Marcus Drummond, Rio de Janeiro

    Existe uma assombração que aparece de quatro em quatro anos em todo Brasil.
    Se chama "Voto Obrigatório".
    Nas eleições, essa assombração aparece como se tivesse "cara limpa", beija criancinhas, distribui abraços à todos, faz promessas, mas depois das eleições, ela mostra sua verdadeira cara e "todos" já conhecem os resultados.

  • SAMUEL, MANAUS

    EU QUERIA PASSAR UMA NOITE SOZINHO ONDE ACONTECE ISSO....ISSO E FALTA DE BUSCAR DEUS...JESUS RESOLVE TUDO ISSO..E REPRENDAM ESTES DEMONIOS EM NOME DE JESUS...QUEM ODIABO PENSA QUE E?JESUS E O SENHOR TODO PODEROSO..BUSQUEM A DEUS...

  • Tarcísio, Belém

    Tem coisas que só acontecem em Minnnssgerais!

  • LUIZ OTAVIO ROMUALDO , MARIANA

    OI TB JÁ FIZ VARIAS ENVESTIGAÇAO DE CASOS DE ASSOMBRAÇAO E OUTROS CASOS HOJE ESTOU NA INVESTIGAÇAO DO MENINO PAGAO NO DISTRITO DE OURO PRETO CHAMADA BUCANA,SO TIVE CONTATOS OUDITIVO COM O PAGAO NADA VISUAL AINDA MAS TORÇO PARA ACONTECER, NA INVESTIGAÇAO DESCUPREI SEM QUERER MAS ASSUSTADORA E LINDO AO MESMO TEMPO CANTIGA DE RODA PARECIA CRIANÇAS CANTANDO MAS NAO VI NADA ESTA, MAS ASIM QUE EU TERMINAR O CASO DO PAGAO VOU TB VER ESTE CASO ABRAÇO.

  • Rogério, São Paulo

    Olá, meu nome é Rogério, faço parte de um grupo de estudante de jogos digitais da FMU de São Paulo. Estamos desenvolvendo um jogo de tabuleiro, como trabalho acadêmico, sobre a história dos caçadores de mitos de Mariana (Associação de Caçadores de Assombrações de Mariana - Acam).

    Por favor, você teriam o contato de algum membro dessa associação? Eu gostaria de entrar em contato com eles para falar sobre nosso jogo.

    Obrigado.

    Rogério

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