A Justiça do Pará decretou a prisão preventiva de três suspeitos de envolvimento na morte do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, assassinados em uma emboscada em Nova Ipixuna (PA), em maio deste ano. A decisão, de autoria do juiz Murilo Lemos Simão, titular da Vara de Violência Contra a Mulher da Comarca de Marabá (PA), foi divulgada nesta sexta-feira pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PA).
Segundo a decisão, o crime foi planejado e encomendado pelo produtor rural José Rodrigues Moreira, que vinha ameaçando o casal para garantir a posse de um lote de terra na área do projeto extrativista de Nova Ipixuna. "Diante da disputa pela terra rural, José Rodrigues planejou, organizou e financiou o crime", diz o juiz na decisão. Moreira contratou seu irmão, Lindonjonson Silva Rocha, e Alberto Lopes do Nascimento para executar o casal em uma ponte de madeira em uma estrada que dá acesso a vários assentamentos da região.
"Os executores Lindonjonson e Alberto agiram mediante emboscada, sem possibilitar defesa às vítimas, ficaram escondidos no meio da vegetação próximos à ponte, atiraram nas vítimas, retiraram a golpe de instrumento cortante a orelha de José Cláudio, agindo, assim, de forma cruel", afirma o magistrado.
A decisão do juiz atende a pedido do Ministério Públic, que denunciou Moreira por homicídio duplamente qualificado, e Lindonjonson Rocha e Alberto Nascimento, por homicídio triplamente qualificado. De acordo com o MP, o objetivo do crime era retirar o assentamento da terra comprada por José Rodrigues.
Segundo as investigações policiais, declarações das testemunhas e perícias levaram aos suspeitos. Para a promotora Amanda Lobato, responsável pela denúncia, a prisão preventiva é fundamental para garantir a ordem pública e a tramitação do processo sem ameaça de testemunhas nem ocultação de provas.