Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

País

IBGE: 63,7% dos brasileiros acham que cor ou raça tem influência em suas vidas 

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O estudo feito pelo IBGE “Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça”, que coletou informações em 2008, em uma amostra de cerca de 15 mil domicílios, revela que 63,7% dos entrevistados reconhecem que a cor ou raça influencia na vida. Entre as situações nas quais a cor ou raça têm maior influência, o trabalho aparece em primeiro lugar, seguido pela relação com a polícia/justiça, o convívio social e a escola.

Dos entrevistados, 96% afirmam saber a própria cor ou raça. As cinco categorias de classificação do IBGE (branca, preta, parda, amarela e indígena), além dos termos “morena” e “negra”, foram utilizadas.

Entre as dimensões da própria identificação de cor ou raça, em primeiro lugar vem a “cor da pele”, com 74% de citações, seguida por “origem familiar” (62%), e “traços físicos” (54%). 

Entre as unidades da federação pesquisadas, o maior percentual de resposta afirmativa foi registrado no Distrito Federal (77,0%) e o menor, no Amazonas (54,8%). As mulheres apresentam percentual maior do que os homens: 66,8% delas disseram que a cor ou raça influenciava, contra 60,2% deles. Na divisão por grupos etários, os maiores percentuais de resposta afirmativa ficaram com as pessoas de 25 a 39 anos (67,8%), seguidas pelas pessoas de 15 a 24 anos de idade (67,2%). Os dois grupos se alternam na liderança desse quesito em todos os estados, mas no Distrito Federal o destaque é do grupo de 40 a 59 anos, com 79,5%.

Trabalho é citado como a situação mais influenciada por cor ou raça

Sobre situações em que a cor ou raça influencia a vida das pessoas no Brasil, em primeiro lugar aparece “trabalho”, resposta que foi dada por 71% dos entrevistados. Em segundo lugar aparece a “relação com justiça/polícia”, citada por 68,3% dos entrevistados, seguida por “convívio social” (65%), “escola” (59,3%) e “repartições públicas” (51,3%).

O Distrito Federal se destacou com os maiores percentuais de percepção da influência da cor ou raça em quase todas as situações citadas, tais como “trabalho” (86,2%), “relação com justiça/polícia” (74,1%), “convívio social” (78,1%), “escola” (71,4%) e “repartições públicas” (68,3%). Apenas em “casamento”, a Paraíba ficou com 49,5% contra 48,1% do DF.

96% dos entrevistados afirmam saber a própria cor ou raça

Dos entrevistados, 96% afirmam que saberiam fazer sua autoclassificação no que diz respeito a cor ou raça. Ao ser indagada a cor ou raça (com resposta aberta), 65% dos entrevistados utilizaram uma das cinco categorias de classificação do IBGE: branca (49,0%), preta (1,4%), parda (13,6%), amarela (1,5%) e indígena (0,4%), além dos termos “morena” (21,7%, incluindo variantes “morena clara” e “morena escura”) e “negra” (7,8%). Entre os estados, o Amazonas se destacou com o menor percentual de respostas para cor “branca” (16,2%) e a maior proporção de uso do termo “morena” (49,2%). Já o maior percentual da resposta “negra” foi no Distrito Federal (10,9%), onde as respostas “branca” e “parda” tiveram proporções iguais (29,5%).

Comparando a classificação de cor ou raça do entrevistado feita por ele mesmo (autoclassificação) e a atribuída pelo entrevistador (heteroclassificação), observou-se um nível de consistência significativamente alto, com exceção para o caso da categoria “morena”, mais usada pelo entrevistado (21,7%) do que pelo entrevistador (9,3%). Essa discordância foi maior na Paraíba, onde 45,7% dos entrevistados se autoclassificam como “morenos”, mas o termo só foi usado pelos entrevistadores em 4,3% dos casos.

Cor da pele é dimensão mais citada para definir cor ou raça

Entre as dimensões de identificação oferecidas aos entrevistados, em relação à auto-identificação de cor ou raça, a que mais aparece é a “cor da pele”, citada por 74% dos entrevistados. Seguem “origem familiar” (62%) e “traços físicos” (54%). Já na identificação das “pessoas em geral”, a dimensão mais citada foi a “cor da pele” (82,3% dos entrevistados), seguida de “traços físicos (cabelo, boca, nariz, etc.)” (57,7%) e “origem familiar, antepassados” (47,6%).

Pesquisa abordou diversos elementos de identificação

As entrevistas foram feitas com uma pessoa de 15 anos ou mais de idade por domicílio, selecionada aleatoriamente. A pesquisa abordou a identificação do entrevistado a partir de uma pergunta aberta (autoclassificação), sondando algumas dimensões que compõem a identificação de cor ou raça para “as pessoas em geral” e para o próprio entrevistado (cultura, traços físicos, origem familiar, cor da pele etc.). Também perguntou sobre a origem familiar (africana, européia, do Oriente Médio, entre outras) e se o entrevistado se reconhecia com uma série de alternativas de identificação (afro-descendente, indígena, amarelo, negro, branco, preto e pardo), além de levantar informações sobre educação e inserção ocupacional do pai e da mãe da pessoa entrevistada. Muitas perguntas permitiram respostas múltiplas. 

Em paralelo à autoclassificação, o entrevistador atribuía uma cor ou raça ao entrevistado com uma pergunta aberta (heteroclassificação). Finalmente, a pesquisa abordou a percepção da influência da cor ou raça em alguns espaços da vida social.

Tags: IBGE, pesquisa

Comentários

7 comentários
  • Márcio Soares, Barra Mansa - RJ
    Márcio Soares, Barra Mansa - RJ

    Com certeza...

  • jose ferreira, Belo Horizonte
    jose ferreira, Belo Horizonte

    O complexo de inferioridade é latente nas respostas : moreno claro, moreno escuro, jambo, chocolate, café, preto, azul...é tudo a mesma coisa > negro.

  • Olcimar Costa, Niterói-RJ
    Olcimar Costa, Niterói-RJ

    É verdade, e tem sentido sim! Estejam certos: O preconceito racial não é extinguível nem aqui, nem na China, nem em lugar nenhum!... Há uma máxima que diz: "Raça, crença e cor da pele não tem importância, pois todos sangram em vermelho". Louvado seja a mensagem, ne?!, porém, no dia nosso de cada dia, não é assim que a banda toca! O escárnio é mais do que vero, sim!... Disfarçado, dissimulado, cabotino!...

    Al prejuicio racial yo digo que es mejor encenderse una vela de lo que maldecirse la oscuridad.

  • Luca, Sampa
    Luca, Sampa

    Seria interessante mostrar informações sobre estratos sociais divididos por padrão de educação (básico, médio e superior), classe economica (A, B, etc) e por raça também... É possivel que os mais pobres (a maioria, infelizmente) sintam-se mais discriminados que os mais ricos...

  • anarquista, Christiania
    anarquista, Christiania

    População carcerária...

  • Mário de Oliveira Pinheiro, Rio de Janeiro RJ
    Mário de Oliveira Pinheiro, Rio de Janeiro RJ

    Essa pesquisa claramente diversionista presta-se a que propósitos?Há muito o IBGE vem sendo conduzido por estranhas motivações. Vamos renovar esse IBGE.

  • Angostini Antunes, Brasilia
    Angostini Antunes, Brasilia

    Brasileiro é igual a todo mundo. Não sabe o que diz . Se o povo soubesse o que diz , Jesus não seria crucificado. O povo é ignorante. Temos mais negros no futebol, mais negros na televisão, mais negros como empresário, mais negros como juizes e ministros , mais negros na política . Onde existe racismo e ou cor de pele ? Existe sim vagabundos , ladrões , e assim por diante. Se fizer uma pesquisa qual é o melhor país para se viver o povo brasileiro vai dizer que é os Estados Unidos. E os Estados Unidos é o país mais racista do mundo, além de racista impede brasileiros e se naturalizarem, mandam brasileiros para a prisão , etc, etc. Então , esta pesquisa e zero é a mesma coisa . Brasileiro e povo é burro. ´Só devia abrir a boca pra comer . E fim de papo

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