O presidente do Cruzeiro e agora senador José Perrella (PDT-MG) continuará sendo investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público (MP) de Minas Gerais, mesmo depois de assumir a vaga no Senado deixada por Itamar Franco, que morreu no último dia 2 em São Paulo. De acordo com o advogado Rodolfo Viana, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais (OAB-MG), como a diplomação do senador aconteceu após a instauração dos processos, Perrella deverá responder normalmente às denúncias de irregularidades em seu patrimônio.
"O Senado não tem mais como suspender o processo contra ele", afirmou o advogado. Segundo Viana, caso o MP proponha uma denúncia contra Perrella, o processo será encaminhado diretamente ao Superior Tribunal Federal (STF). "Como senador, ele passa a ter a prerrogativa de foro privilegiado", disse.
Fazenda de R$ 60 mi no foco do MP
O Ministério Público informou que abriu um procedimento preparatório para apurar possíveis irregularidades na compra de uma fazenda avaliada no valor de R$ 60 milhões, sendo que o presidente do clube mineiro teria declarado ter patrimônio de R$ 490 mil à Justiça Eleitoral no ano passado. A fazenda, localizada em Morada Nova de Minas (a 300 km de Belo Horizonte), está registrada no nome dos filhos do parlamentar.
A propriedade de 3,7 mil hectares é utilizada como refúgio pela família de Perrella e funciona como produtora de grãos, eucaliptos, gados e suínos. De acordo com o MP, o senador se colocou à disposição para ser ouvido pelo promotor que apura as denúncias, Eduardo Nepomuceno. No entanto, Perrella era esperado na Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público na última terça-feira para prestar esclarecimentos, mas não compareceu, alegando compromisso particular.
Ele é investigado paralelamente pela PF sobre supostas denúncias de lavagem de dinheiro. Após inquérito aberto em junho deste ano, ele deve ser ouvido pelo Grupo de Repressão de Crimes Financeiros da PF.
Além disso, em abril de 2010, a PF encaminhou um inquérito no Tribunal Regional Federal (TRF) contra o presidente do Cruzeiro sobre suposta lavagem de dinheiro na venda do jogador Luizão ao Benfica, de Portugal. O processo corre em sigilo no TRF.
Se condenado, cartola poderá ficar no Senado
De acordo com Rodolfo Viana, mesmo que seja condenado, Perrella poderá continuar no cargo. "Caso ele seja condenado, terá os direitos políticos suspensos, porém, não há o efeito imediato. Ou seja, ele não perderá o mandato. Isso só poderá acontecer se o Senado decidir pela cassação do parlamentar", afirmou.
O Cruzeiro Esporte Clube informou que já encaminhou todos os documentos sobre a negociação do zagueiro Luisão para a Justiça e disse que o presidente Perrella está à disposição para prestar esclarecimento assim que for convocado.
Com relação às investigações sobre a fazenda do parlamentar, Perrella informou em nota, "que as denúncias feitas pelo jornal Hoje em Dia são infundadas". Segundo o senador, a fazenda foi adquirida há 13 anos e registrada pela empresa Limeira Agropecuária Participações Ltda. Em 2009, mais uma propriedade rural foi anexada, pelo valor de R$360 mil, que representa 13% do total da propriedade. De acordo com o presidente do Cruzeiro, depois de muitos anos de investimentos em terras antes improdutivas e reinvestimentos de lucros toda a propriedade foi avaliada em R$60 milhões, e não apenas a ultima parte adquirida em 2009. Sobre a empresa Limeira, o senador afirmou que ao apresentar suas declarações de bens à Justiça Eleitoral nas últimas eleições, ele não relacionou a fazenda, por não lhe pertencer. Também neste caso, Perrella se coloca à disposição do Ministro Público para prestar qualquer esclarecimento.