Os debates durante este sábado no 10º Fórum Empresarial, na Bahia, focaram soluções para a melhora do sistema educacional brasileiro. Cobranças por parte dos empresários sobre a formação de mais e melhores profissionais foram consideradas pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, que afirmou que o País investiu pouco na área durante o século passado.
Haddad disse que o Brasil possui uma "dívida educacional", por ter investido menos do que deveria durante o século XX. "O Brasil tem que reconhecer que não priorizou a educação no século XX", afirmou o ministro.
De acordo com o ministro, a média de investimento do País em educação no século passado foi de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Haddad afirmou que se essa média tivesse sido de 6% do PIB desde os anos 1930, a renda per capita dos brasileiros hoje seria ao menos o dobro do que é (US$ 8,1 mil, em 2009). Haddad disse que se a taxa de 6% desde 1930 fosse aplicada, a população brasileira hoje seria de cerca de 100 milhões de habitantes, e não os atuais 198 milhões atuais. O ministro ainda afirmou que o Brasil avançou em relação a investimento em educação e hoje a taxa de aplicação em relação ao PIB é de cerca de 5%.
Por parte dos executivos, houve cobrança em relação à formação de mais engenheiros no Brasil. Jorge Gerdau Johannpeter citou os sul-coreanos como paradigmas para a formação do trabalhador brasileiro. Gerdau disse que a grande maioria das empresas brasileiras são pequenas e não têm condições financeiras de capacitar mão de obra. "Por isso, precisamos ter trabalhadores que cheguem às empresas com boa formação", afirmou o empresário.
Segundo o presidente da consultoria Accenture, Roger Ingold, o País forma cerca de 40 mil engenheiros por ano, contra 400 mil que são formados na China. O empresário citou exemplos de países asiáticos, como a Coreia do Sul, que investiram na formação desses profissionais e estão colhendo frutos. "A Philips anunciou o fim da fabricação de televisores por causa dos asiáticos", disse Ingold sobre o anúncio da fabricante europeia, no começo da semana, que deixará a atividade dada a competição, principalmente, com as sul-coreanas LG e Samsung.
Ao final, políticos e empresários concordaram que uma das soluções para sanar as deficiências do sistema educacional no Brasil seria criar mais vagas em universidades, melhorar a qualidade do ensino prestado por elas e valorizar o salário de professores para atrair mais e melhores profissionais para lecionar.