Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

País

TV Bandeirantes sob o risco de falir

Grupo, que deve apenas em uma subsidiária cerca de R$ 680 milhões, faz programas com objetivo de ameaçar empresários

Jornal do Brasil

 

Um calote multimilionário da Rede Bandeirantes de Televisão é a origem dos ataques transmitidos desde segunda-feira passada pela emissora contra  organizações empresariais, envolvidas em negócios legais e legítimos.

 

O empresário João Carlos Saad, conhecido  pela alcunha  de Johnny
O empresário João Carlos Saad, conhecido pela alcunha de Johnny

Pertencente ao Grupo Bandeirantes, a TV Cidade comprou e não pagou uma rede de fibra ótica vendida pela Furukawa do Japão. Em consequência, foi executada judicialmente, há cerca de cinco anos.

 

Meses atrás, a imprensa paulista publicou o Edital de Leilão judicial da rede de fibra ótica adquirida, e não paga, pela TV Cidade. Em razão do calote, o fornecedor recorreu ao Judiciário. O Grupo Bandeirantes perdeu em todas as instâncias. Foi condenado a pagar honorários de sucumbência ao destacado escritório Tozzini Freire, representante da companhia japonesa. Também não pagou o valor referente à sucumbência.

 

Legitimamente, várias companhias, a exemplo da NET (de serviços de televisão a cabo), e do grupo liderado pelo empresário Nelson Tanure, interessaram-se em participar do leilão para adquirir a rede de fibra ótica.

 

Contra os preceitos de um jornalismo sério, a mando de João Carlos Saad, conhecido pela alcunha de Johnny, a Rede Bandeirantes de Televisão assume um noticiário inescrupuloso, utilizado para ameaçar e chantagear interessados no negócio que Saad não soube conduzir. Ofende, assim, a credibilidade de reconhecidos jornalistas da emissora como Boris Casoy e Ricardo Boechat.

 

A direção do grupo de comunicações, ao invés de tentar encontrar um meio para a quitação da inadimplência da TV Cidade, que certamente poderá arrastar a Rede Bandeirantes à falência, preferiu adotar um comportamento arrogante e desesperado, tentando, assim, ameaçar eventuais interessados em adquirir, legal e legitimamente, sua rede de fibra ótica. Ao estilo de praticante de jornalismo marrom, Johnny se propôs a dizer, por exemplo: “Vou passar o trator por cima”.  

 

As dívidas da TV Cidade, subsidiária da Rede Bandeirantes de Televisão, são estimadas em R$ 680 milhões.  As da TV Bandeirantes envolvem também centenas de milhões de reais. Quando for efetivado o leilão, a TV Cidade perderá seu único ativo – a rede de fibras óticas – e ficará sem condições de fazer frente às obrigações que tem perante seus credores, indo, portanto, à quebra.

 

Briga de família

As dificuldades de Johnny são antigas e vão além do ambiente empresarial. A disputa familiar que envolve os Saad é conhecida. Em 2002, a questão tornou-se pública quando as irmãs Marisa e Maria Leonor Saad publicaram em meios de comunicação um edital de ataque ao próprio irmão Johnny, como elas, neto do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, famoso no mundo político brasileiro pelo slogan Rouba, mas faz. O Grupo Bandeirantes foi fundado pelo pai deles, João Jorge Saad.

 

As irmãs argumentavam que, a pretexto de sanear o passivo da emissora, Johnny abriu negociação com o Deutsche Bank, que se tornaria o agente exclusivo da Rede Bandeirantes para uma operação de oferta internacional de títulos.

 

Marisa e Maria Leonor sustentaram no documento que a operação representaria uma ilegalidade e que a legislação brasileira não estava sendo respeitada pelos negociadores. De acordo com as irmãs, outra instituição que estaria sendo assediada seria a Eurovest Global Securities Inc. para uma oferta de troca de notas promissórias da Rádio e TV Bandeirantes no valor de US$ 100 milhões. O processo tem o trâmite na 1ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, em São Paulo.

 

O litígio entre os cinco irmãos Saad resultou na demissão, em fevereiro de 2001, do então diretor-executivo da TV Bandeirantes, Antônio Athayde. À época, tornou-se público que Athayde caíra por ter entrado em rota de colisão com Johnny, supostamente incomodado com a aproximação do principal dirigente do jornalismo da emissora com o irmão Ricardo, já seu desafeto.

 

Indignação com a Band

Os procedimentos jornalístico e empresarial do Grupo Bandeirantes – considerados ofensivos no meio jornalístico – são contestados por ex-funcionários e diferentes personalidades da vida brasileira.

 

No ano passado, o governador do Paraná, Roberto Requião, disse em entrevistas que a emissora agiu com “canalhice” e “pilantragem” em relação a iniciativas de seu governo na área de transportes.

 

O ex-deputado federal Clodovil Hernandez, falecido há dois anos, foi até mais explícito do que o governador paranaense, ao referir-se a João Carlos Saad. Trata-se de “um ladrão”, disse ele em entrevista ao Programa Amaury Jr transmitido em 14 de setembro de 2005.

 

 O jornalista Joelmir Beting, que leu o difamante, calunioso e injuriante editorial, e o publicou no jornal gratuito Metro, foi procurado via e-mail, mas não respondeu às perguntas do Jornal do Brasil.

 

O Jornal do Brasil, que considera condenável a prática de Johnny Saad, trará amanhã nova reportagem sobre o tema, revelando o grave cenário de dificuldades empresariais da Rede Bandeirantes de Televisão e de seus acionistas. Este texto está disponibilizado para milhares de veículos de comunicação do país.

 

 

Editorial

Jornalismo de chantagem mostra desespero da Band

A Rede Bandeirantes de Televisão presta um desserviço ao jornalismo brasileiro – e, em consequência, à sociedade e à democracia do país – ao atacar empresários  de forma chantagiosa, irresponsável, inescrupulosa e mentirosa, unicamente para atender aos escusos interesses comerciais dos meios de comunicação dirigidos por João Carlos Saad, conhecido pela alcunha de Johnny.

O texto lido anteontem em noticiário televisivo da emissora por Joelmir Beting, dublé de apresentador, porta-voz e propagandista de empreendimentos bancários, representa uma ofensa gravíssima, uma tentativa virulenta e descabida de macular a honra de concorrentes que norteiam suas atividades pela legislação brasileira e, como não poderia deixar de ser, pela Constituição Federal.

Famoso por seus comentários econômicos superficiais e risíveis, Beting foi demitido na TV Globo ao tentar acumular, contra a ética da categoria,  as funções de jornalista e de garoto propaganda. Hoje, é um servil auxiliar de Johnny para produzir textos travestidos de editorial de uso espúrio do seu patrão.

 A irresponsabilidade da Rede Bandeirantes, a mando de Saad, ainda é muito maior pela repetição de conteúdo mentiroso em diferentes programas de TV aberta, na TV a cabo, e num miserável jornal gratuito distribuído às portas do metrô.

Como revela o Jornal do Brasil nesta edição, a Rede Bandeirantes de Televisão, sob o comando de João Carlos Saad, sofre o risco de falência, no rastro da inadimplência da TV Cidade, que tem no mercado dívida estimada em R$ 680 milhões para governos federal e dos estados onde atua, para fornecedores e para credores trabalhistas. Não vai resolver seus problemas com calúnias, injúrias e difamação, que serão levadas às barras da Justiça.

 

Tags: bandeirantes

Comentários

5 comentários
  • luciana, Rio de Janeiro
    luciana, Rio de Janeiro

    Como dizem;quem não tem competência não se estabelece,mentira tem perna curta e aqui se faz aqui se paga.O trabalho honesto dignifica o HOMEM.

  • Jessé, Maragojipe
    Jessé, Maragojipe

    Quem diria, a Bandeirantes nessa situação. Só é vender o horário de programas para uma três igrejas protestante que ele se salva e paga as divididas. Tirando CQC o resto da programação é uma me...

  • claudionor r silva , cariacica es
    claudionor r silva , cariacica es

    OLHA SE ESTE SENHOR SE É QUE PODE CHAMAR DE SENHOR. SE TEVER FILIADO AO PT OU SER APADRINHADO DO MESMO, PODE TUDO.
    SE UM POBRETÃO TEVER DEVENDO 100 REAISÁ UM BANCO JÁ ESTAR COM O NOME NO SPC OU SERASA , ESTE ÉO BRASIL; A NOSSA ERANÇA É UMA ABERRASÃO ,SE LIGA POVO

    BRASILEIROS ACORDA PARA A REALIDADE SE-NÃO VOÇêS ESTRAPAM.ÉTA B BRASILZINHO SAFADO

  • herbert nere de carvalho, ze doca ma
    herbert nere de carvalho, ze doca ma

    foi espantoso ao saber que o raciocinio de um empresario deste nosso pais pense de maneira truculosa isto e verdadeiramente brasileiro que tudo pode e pensa que e dono da verdade mais ele vai cair o nosso brasil e grande e os brasileiros de bem viveram para ver

  • Pastor Joaquim, Nictheroy  RJ
    Pastor Joaquim, Nictheroy RJ

    O Português tem um ditado popular se referindo aos árabes que diz assim : CUIDADO COM O MOURO, QUANDO ELE NÃO TÊM A QUEM VENDER ele TE VENDE e o SAAD é árabe e TEM NOME ÁRABE Ha ! Ha ! Ha ! Ha !Eu acho que o meu colega PASTOR SILAS MALAFAIA COMPRARÁ A TV BANDEIRANTES com o prestimoso apoio financeiro de seus fiéis apoiados por um MILAGRE DIVINO de JESUS. JESUS TE AMA. AMÉM ! k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k

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