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Sexta-feira, 20 de Julho de 2018 Fundado em 1891

País - Opinião

Os canalhas perdem os anéis mas vão continuar com suas casas em Lisboa? 

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Com tudo o que o Brasil vem passando, com suspeitas e denúncias de corrupção em todas as áreas de um Executivo eleito pelo povo, o Rio de Janeiro foi palco nesta quinta-feira (17) de algo que pode ser visto como exceção. O esquema investigado na Operação Calicute não parece se tratar de mero esquema de corrupção, mas de prática cotidiana de uma quadrilha criminosa. 

Mas o que mais surpreende é o tempo levado para revelar tal esquema. Foram 12 anos para que tudo viesse a público, após incontáveis denúncias e comprovações feitas e publicadas, em meio a fotografias de personagens fantasiados de guardanapo, talvez já para fazer uma alusão à sujeira que precisava ser limpa daquelas cabeças, a do crime. Os órgãos de Segurança encarregados de procurar quadrilhas não pegavam nenhuma quadrilha, nem a maior de todas, para quem eles mesmos trabalhavam.

Teve avião caindo com menores, com piloto sem habilitação; helicópteros transportando cachorro; festas de guardanapo. Tudo denunciado. Nada apurado. 

Secretários, antes de serem secretários, denunciavam a corrupção em outros órgãos. Tinham até proteção policial. Hoje, proprietários de casas de joias, especializadas em negócios caros, denunciados de compras olímpicas como de apartamentos com preços mais altos do que saque da "Jornada nas estrelas" de Bernard Rajzman. Nada apurado.

Um tal rei da Távola Redonda, denunciado a toda a imprensa do Rio há vários anos, com contratos terceirizados para o governo, nunca teve nada apurado. Continuam e continuam viajando para Miami. 

Pistas nas compras de remédio, equipamento hospitalar, no município e no Estado, carros alugados com preços de Limousine para fazer casamento eram carros para servir a polícia mal armada e sem proteção, que morriam mais do que os bandidos que procuravam. 

Antes, durante e depois da Copa do Mundo, todos já denunciavam todos os tipos de escândalo, como as obras superfaturadas do Maracanã ganhou ampla visibilidade, aqui e no mundo. Já se passaram dois anos. Leva tanto tempo assim para descobrir um roubo de bilhões de reais?

Na Rússia, o ex-vice-governador de São Petersburgo, Marat Oganesyan, foi preso nesta quarta-feira (16), acusado de ter cometido fraude nos trabalhos de construção do estádio "Zenit Arena". O local será um dos palcos da Copa do Mundo de 2018.

No Brasil, ou no Rio de Janeiro, Marat Oganesyan talvez seria demitido, sim, mas por ter roubado pouco.

O povo ainda vai se surpreender com mais escândalos. Os outros corruptos que estão preocupados vão esperar mais tempo para serem presos, sem ter seus bens sequestrados. O que adianta só a prisão e a delação e eles continuarem morando e vivendo em mansões com gastos faustosos.

Os bens do povo já foram sequestrado. O único bem que o povo tem, ou tinha, é o emprego. Os canalhas perdem os anéis, mas vão continuar com suas casas em lisboa, em Miami, em grandes condomínios de luxo, em suas fazendas, casas de serra e mar?

E o povo?

Não há nem mais rua para o povo morar.

O que esperar dos juízes que estão moralizando o país, já que ainda falta sequestrar os bens. O que foi sequestrado foram os anéis, não foi o monte que roubaram. Como diz o próprio Sérgio Moro, eles continuam vivendo como ricos e o povo sobrevivendo como pobres.

Em palestras feitas no Rio, autoridades falam de estado de calamidade a ponto de fazer parecer que estamos à beira de um confronto. E ainda por cima afirmam que as armas que entram no Rio são de volume compatível ou maior que o armamento do Estado. Eles acham que vão controlar uma iminente convulsão social?

O povo não aceita mais eleições de anéis perdidos, o povo quer que os ladrões não tenham mais dinheiro para comprar anéis em outros países.



Tags: bens, copa, investigações, prisão, rio de janeiro, sequestro

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