ASSINE
search button

Por fim de tormento olímpico e paz a Mano, Seleção desafia história 

Compartilhar

Maior vencedor de Copas do Mundo, único país a participar de todas as edições da competição e inquestionável potência do futebol, a Seleção Brasileira tem um trauma a superar neste sábado, quando enfrenta o México, às 11h (de Brasília), no Estádio de Wembley, em Londres. Pela terceira vez em sua história, o país disputará uma final masculina da modalidade nos Jogos e tentará quebrar o tabu de nunca ter ganhado uma medalha de ouro.

Nas outras duas vezes que ficou próximo da conquista, o Brasil decepcionou mesmo como favorito. Em Los Angeles 1984, capitaneado por Dunga, foi derrotado pela França. Quatro anos depois, em Seul, a União Soviética virou a algoz da geração de Romário. Agora, Neymar está à frente de um time que destoa dos demais do torneio pela valorização e experiência de seus jogadores.

O Brasil iniciou a competição com 12 jogadores atuando na Europa. Terminará com 14. Oscar e Lucas foram negociados para Chelsea e PSG por valores superiores a 30 milhões de euros em uma indicação de quanto valiosa é esta geração. O time titular ainda tem o zagueiro Thiago Silva, negociado com o PSG por mais de 40 milhões de euros, e Neymar, que já recusou propostas de Chelsea, Real Madrid e Barcelona para continuar no Santos.

Neste cenário, a conquista do ouro surge quase como uma oportunidade única. O caminho brasileiro até a final não teve confronto contra nenhum adversário de peso histórico no futebol, e os mexicanos disputam sua primeira medalha olímpica. O Brasil tem a sua melhor chance de acabar com um tormento que a cada quatro anos abala treinadores e interfere na Seleção principal.

O Brasil é apenas uma dos quatro países desta edição em que o técnico acumula o cargo nas seleções olímpica e principal. A dupla função traz um desgaste que poderia ser evitado. Wanderley Luxemburgo perdeu cargo depois da eliminação em Sydney 2000. Dunga ficou por um fio ao cair na semifinal de Pequim 2008. E agora é a vez de Mano Menezes.

Com fracassos em amistosos contra grandes e na Copa América, o treinador chegou a Londres pressionado por uma medalha de ouro, já que o novo presidente da CBF, José Maria Marin, disse que avaliaria o trabalho por resultados. A campanha convincente até aqui, com cinco vitórias em cinco jogos, praticamente garantiu seu emprego, mas ele voltará a sofrer com críticas caso perca hoje.

A conquista da inédita medalha poderia tirar um pouco do peso e cobrança pelo fim de tabu e abrir espaço para que no próximo ciclo a Seleção olímpica tenha uma comissão técnica específica. Após a partida contra a Coreia do Sul, Mano disse, ao citar o México, que a separação é o ideal. Mas defende que especificamente neste ciclo brasileiro era necessário que ele assumisse o projeto olímpico. "Hoje as duas seleções se misturam muito", justifica.

De fato, a geração desta Olimpíada deve formar a base da Seleção para a Copa de 2014. Muitos dos jogadores já estão no time principal. Da equipe que deve entrar em campo hoje, não há dúvidas de que Thiago Silva será um dos zagueiros, Marcelo o lateral esquerdo, Oscar o camisa 10 e Neymar o atacante e grande estrela. Nesta Olimpíada, a base está funcionando, e o Brasil tem 100% de aproveitamento com 15 gols marcados.

Estrela fora

O México fará o jogo mais importante de sua história no futebol, segundo declarações dos próprios jogadores e do técnico Luis Fernando Tena. Mas não terá o seu principal atleta, o meia-atacante Giovani dos Santos, que sofreu uma contusão na semifinal contra o Japão e não se recuperou a tempo.

Giovani é o único dos jogadores mexicanos que atua fora do país. A força do México está no conjunto formado com a sequência de competições disputadas desde 2010 com a mesma base. Foram quatro, incluindo o Pan-Americano e a Copa América. Na Olimpíada, campanha consistente depois de um empate na estreia contra os sul-coreanos. "Queremos o ouro. Sabemos que o Brasil é favorito, mas somos fortes e acreditamos que podemos ganhar", disse o treinador. Uma vitória contra o Brasil significará a maior conquista da história do México no futebol.