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Internacional

Rishikesh, a meca mundial do ioga popularizada pelos Beatles

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Emoldurada pelas verdes colinas do norte da Índia, às margens do Ganges que desce do Himalaia, a cidade de Rishikesh, popularizada pelos Beatles há 50 anos, continua sendo a meca dos adeptos ocidentais da ioga.

"O sol é para todos, a lua é para todos, os rios são para todos, assim como o ioga é para todos", diz, entusiasmado, o guru Swami Chidanand Saraswati, de longa cabeleira e barba emaranhada, que dirige ali um "ashram" (retiro) para praticar o ioga, uma antiga disciplina que celebra seu dia internacional nesta quinta-feira (21).

Decretado em 2014 pelas Nações Unidas por iniciativa do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que vê no ioga uma alavanca de influência cultural de seu país, o evento reúne mais uma vez milhares de praticantes de todo o mundo.

"Imaginem isso! O primeiro-ministro foi à ONU falar dos benefícios do ioga... Hoje, o ioga está em todas as partes", constata Saraswati, com quem a AFP se reuniu em seu "ashram" Parmarth Niketan, enquanto os assistentes se prostravam a seus pés.

Em Rishikesh, 250 km ao norte da capital indiana, Nova Délhi, legiões de turistas estrangeiros vão a seus "ashrams" e escolas de ioga, que brotaram como grama.

Um entusiasmo que não é alheio à visita ilustre de quatro jovens de Liverpool durante dois meses em 1968: os Beatles.

- 'Álbum branco' -

Atraídos para o local para fugir durante um tempo da febre da "Beatlemania", em busca de um renascimento espiritual e de uma imersão na cultura indiana, os "Fab Four" e suas famílias se hospedaram no "ashram" do Maharishi Mahesh Yogi, de onde Ringo Starr partiu dois dias depois por não suportar a cozinha local.

"Ali escreveram 48 canções. Muitas delas estão no 'Álbum branco', um de seus trabalhos mais populares", explicou Raju Gusain, de 47 anos, jornalista local e grande conhecedor desta estada mítica. "A visita transformou completamente os Beatles".

O restante do grupo partiu depois de oito semanas. O local de seu "ashram" está abandonado desde 2001, tomado pela vegetação, embora tenha sido iniciado um processo de restauração e proteção do mesmo.

A passagem dos Beatles por Rishikesh contribuiu para situar esta cidade no mapa múndi do ioga e para o auge da popularidade da meditação no Ocidente.

Atta Kurzmann, de 68 anos, uma americana em visita a Rishikesh, foi uma das que se tornaram amantes do ioga na época. Desde então, trabalha como professora de ioga nos Estados Unidos.

"Tive contato com a espiritualidade indiana por causa de George Harrison, ao saber que vieram a Rishikesh [...] Era atraente interessar-se em níveis superiores de consciência que não implicavam drogas", conta.

"Isso foi o que me fez vir à Índia quando estava na casa dos 20 anos", continua.

Hoje, Rishikesh acolhe anualmente entre 70.000 e 80.000 turistas estrangeiros e um grande número de indianos, ávidos por se purificar no rio sagrado, visitar a região ou fazer rafting.

- 'Estava deprimido' -

Longe da multidão, no "ashram" Anand Prakash, clientes majoritariamente jovens e estrangeiros pagam 1.050 rúpias (13,3 euros) por noite por alojamento e alimentação, vegetarianas, obviamente.

Um deles, o mexicano Pablo Rueda, decidiu vir ficar uma semana após ter perdido o emprego de engenheiro aeroespacial no Canadá.

"Estava deprimido e me perguntava o que fazer da vida", conta à AFP ao sair do café da manhã, onde os comensais se sentam no chão e comem em silêncio em pequenas mesas individuais. "Queria praticar ioga, adoro, e meditar".

A rotina no "ashram" é rigorosa. As pessoas acordam às 05H00 e depois meditam meia hora. O programa continua com 90 minutos de ioga no terraço, durante o amanhecer, seguido de outra meia hora de mantras em volta do fogo, antes do café da manhã.

O resto do dia é livre, dedicado à medicação, à leitura ou a visitar o lugar. Às 18H00, nova sessão de ioga, antes do jantar. As luzes de apagam cedo.

Embora aqui se pratique uma disciplina austera e milenar, o "ashram" chegou à modernidade e tem inclusive wifi.

"Continuo vendo meu Facebook porque gosto de compartilhar as fotos da minha viagem", admite o mexicano.

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Agência AFP


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