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Internacional

Ofensiva da coalizão para tomar porto iemenita de Hodeida dos rebeldes

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Apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita, as milícias iemenitas pró-governo lançaram, nesta quarta-feira (13), sua ofensiva em Hodeida, porto estratégico do oeste de Iêmen, com o objetivo de tomar a cidade controlada pelos rebeldes huthis.

A ofensiva das milícias pró-governamentais começou após o aval da coalizão para tomar a cidade de 600.000 habitantes, indicaram à AFP fontes milicianas que pediram para não ser identificadas.

As tropas avançam em direção ao aeroporto, situado ao sul de Hodeida, segundo essas fontes presentes no setor de Al Jah, a cerca de 30 km da cidade.

"Estamos em contato constante com todas as partes envolvidas para negociar acordos que possam resolver as preocupações políticas, humanitárias e de segurança de todos os envolvidos", declarou o enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, em um comunicado.

O Reino Unido solicitou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, que acontecerá nesta quinta-feira.

O canal de televisão Al Masirah, controlado pelos rebeldes, informou sobre ataques aéreos pela manhã cerca de Hodeida.

Fuentes médicas indicaron que 22 combatentes rebeldes e três soldados das forças pró-governamentais morreram nas últimas 24 horas.

Residentes da cidade, contactados por telefone pela AFP, asseguraram que os rebeldes huthis pareciam ter sumido das ruas.

O porto, situado no Mar Vermelho, é estratégico nessa guerra iniciada há mais de três anos. É o ponto de entrada de boa parte das importações e ajuda humanitária do país.

"A libertação de Hodeida é vital dada a ameaça crescente que as milícias huthis, apoiadas pelo Irã, sobre a segurança marítima no mar Vermelho, por onde passa 15% do comércio internacional", argumentou no Twitter o embaixador saudita em Washington, Jaled bin Salman, um dos filhos do rei saudita.

Os Emirados Árabes Unidos, que fornecem um apoio fundamental para as milícias iemenitas que combatem os rebeldes, haviam dado um prazo até a noite de terça-feira à ONU para encontrar uma solução e obrigar os huthis a deixarem Hodeida sem resistência.

Na terça-feira à noite, o príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed al Nahyan, recebeu em Abu Dhabi ao presidente iemenita, Abd Rabo Mansur Hadi, que vive no exílio em Riad. Ambos falaram sobre como "melhorar as relações bilaterais", informou a agência WAM.

Na terça-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu a todas as partes "contenção" e que protejam a população civil, em uma conversa telefônica com Mohamed bin Zayed.

A Anistia Internacional advertiu que a operação militar ameaça os civis, e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha garantiu que "iria apenas exacerbar a situação humanitária catastrófica" no país.

A ONU retirou sua equipe internacional de Hodeida na manhã de segunda-feira.

As forças que combatem os rebeldes não registraram nenhuma grande vitória militar desde que tomaram cinco províncias do sul e Aden em 2015 graças à intervenção de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Originários do norte do país e apoiados pelo Irã, os rebeldes huthis continuam controlando a capital do Iêmen, Sanaa.

Desde 2015, a guerra no Iêmen deixou cerca de 10.000 mortos e mais de 55.000 feridos e provocou "a pior crise humanitária do mundo", segundo a ONU.

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Agência AFP


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