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Internacional

A histórica declaração do ETA para pedir perdão

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A organização separatista basca ETA emitiu uma declaração histórica em que, pela primeira vez, pediu desculpas às vítimas dos seus anos de luta armada pela independência do País Basco e Navarra.

Veja os trechos mais relevantes do texto, traduzidos do basco para o espanhol pelo jornal Gara, que foram divulgados nesta sexta-feira:

- Dano causado -

"O ETA, a organização revolucionária socialista e revolucionária de libertação nacional, deseja reconhecer por meio desta declaração o dano que causou no curso de sua trajetória armada, bem como mostrar seu compromisso com a superação definitiva das consequências do conflito e com a não-repetição".

- Responsabilidade -

"Nestas décadas nosso povo padeceu de inúmeros sofrimentos: mortos, feridos, torturados, sequestrados ou pessoas que foram forçadas a fugir para o exterior. Um tremendo sofrimento. ETA reconhece a responsabilidade direta nesta dor, e deseja manifestar que nada disso jamais deveria ter acontecido ou não deveria ter durado tanto tempo, já que esse conflito político e histórico deveria ter tido uma solução democrática justa".

- Violência herdada -

"O sofrimento imperava antes do nascimento do ETA, e continuou depois que o ETA abandonou a luta armada. As gerações posteriores ao bombardeio de Guernica herdaram a violência e o lamento, e corresponde a nós construir um novo futuro para as gerações vindouras".

- Arrependimento -

"Estamos cientes de que neste longo período de luta armada causamos muita dor, incluindo muitos danos que não têm solução. Queremos mostrar respeito aos mortos, feridos e às vítimas das ações do ETA. Nós realmente sentimos muito".

- Perdão -

"Como resultado de erros ou decisões erradas, o ETA também causou vítimas que não tinham participação direta no conflito, tanto em Euskal Herria (País Basco) quanto fora dele. Sabemos que, forçados pelas necessidades de todos os tipos decorrentes da luta armada, nossas ações prejudicaram os cidadãos sem qualquer responsabilidade. Também causamos sérios danos que não tem como voltar. Pedimos perdão a essas pessoas e suas famílias. Essas palavras não vão resolver o que aconteceu, nem mitigarão tanta dor. Reconhecemos isso com respeito, sem querer causar novamente qualquer aflição".

- Ações 'injustas' -

"Entendemos que muitos consideram e expressam que nossa atuação foi inaceitável e injusta, e respeitamos esse pensamento, pois não se pode forçar ninguém a dizer o que não pensa ou sente. Para outros muitos também foram totalmente injustas, apesar de utilizar o disfarce da lei, as ações das forças do Estado e das forças autonomistas que atuaram conjuntamente, e tampouco esses cidadãos merecem ser humilhados. O ETA, por outro lado, tem outra posição: gostaríamos que nada disso tivesse acontecido, que a liberdade e a paz tivessem criado raízes em Euskal Herria há muito tempo".

- Reconciliação -

"Reconhecemos toda a responsabilidade contraída e os danos causados (...) É isso que o ETA quer expressar. Precisamente olhando para o futuro, a reconciliação é uma das tarefas a serem realizadas em Euskal Herria, algo que em dada medida está ocorrendo com honestidade entre os cidadãos. É um exercício necessário conhecer a verdade de forma construtiva, fechar as feridas e construir garantias para que esse sofrimento não volte a acontecer. Dando uma solução democrática ao conflito político poderemos construir a paz e alcançar a liberdade em Euskal Herria, para finalmente apagar as chamas de Guernica".

bur-du/ra/mr

Agência AFP


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